FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2022
Paciente feminina, 32 anos submetida a tireoidectomia total há 24h teve seu caso apresentado pela residente do leito durante o round na enfermaria. Durante a passagem do caso o residente relatou que paciente não apresentava contratura da mão e do punho durante insuflação de manguito pressórico no braço com oclusão da artéria braquial. Este sinal semiológico buscava identificar qual complicação?
Sinal de Trousseau (espasmo carpopedal após oclusão arterial) = hipocalcemia, complicação comum pós-tireoidectomia.
O sinal de Trousseau, caracterizado pela contratura da mão e do punho durante a insuflação de um manguito pressórico, é um indicador de tetania latente e é classicamente associado à hipocalcemia, uma complicação frequente após tireoidectomia total devido à lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides.
A tireoidectomia total é um procedimento cirúrgico comum para diversas condições da tireoide, como câncer, bócio multinodular e hipertireoidismo. No entanto, como qualquer cirurgia, apresenta riscos de complicações, sendo a hipocalcemia uma das mais frequentes e importantes. A incidência de hipocalcemia transitória pode chegar a 20-30%, enquanto a permanente é menos comum, mas mais grave. A compreensão dessas complicações é vital para a segurança do paciente e para a formação do residente. A fisiopatologia da hipocalcemia pós-tireoidectomia está diretamente relacionada à lesão ou remoção das glândulas paratireoides, que são pequenas estruturas localizadas adjacentes à tireoide e que produzem o paratormônio (PTH), hormônio essencial para a regulação do cálcio sérico. A deficiência de PTH leva à diminuição da absorção intestinal de cálcio, aumento da excreção renal e redução da liberação de cálcio dos ossos, resultando em hipocalcemia. O sinal de Trousseau e o sinal de Chvostek são manifestações de hiperexcitabilidade neuromuscular causada pela hipocalcemia. O manejo da hipocalcemia pós-tireoidectomia envolve a monitorização dos níveis de cálcio sérico e PTH no pós-operatório, e a suplementação com cálcio e vitamina D, se necessário. É fundamental que o residente saiba identificar precocemente os sinais e sintomas da hipocalcemia para iniciar o tratamento adequado e prevenir complicações graves, como arritmias cardíacas e convulsões. A educação do paciente sobre os sintomas de hipocalcemia também é um ponto importante na alta hospitalar.
O sinal de Trousseau é um espasmo carpopedal (flexão do punho e das articulações metacarpofalângicas, extensão das articulações interfalângicas e adução do polegar) que ocorre após a insuflação de um manguito de pressão arterial acima da pressão sistólica por 3 a 5 minutos. Ele indica hipocalcemia latente, pois a isquemia do nervo aumenta sua excitabilidade.
A hipocalcemia é comum após tireoidectomia total devido à lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides, que são responsáveis pela produção de paratormônio (PTH). A deficiência de PTH leva à diminuição da reabsorção de cálcio nos rins e ossos, resultando em baixos níveis séricos de cálcio.
Além do sinal de Trousseau, outras manifestações incluem o sinal de Chvostek (contração dos músculos faciais ao tocar o nervo facial), parestesias periorais e nas extremidades, cãibras musculares, espasmos, convulsões e, em casos graves, arritmias cardíacas e laringoespasmo.
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