UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021
Mulher, 40 anos, 50 kg, em pós-operatório de tireoidectomia total devido a neoplasia maligna da tireoide, evolui com estado de mal epiléptico. Como parte de seu atendimento, realizou os seguintes exames: hemoglobina 10 g/dL, leucócitos 8000/mm3, plaquetas 200.000/mm3, Na 130 mEq/L (VR 135-145mEq/L), K 4 mEq/L (VR: 3,5 – 5 mEq/L), Ca 5 mg/dL (VR: 8,5-10,5 mg/dL), fósforo 4 mg/dL (VR:2,5-4,5mg/dL), albumina sérica 4g/dL, creatinina 1,5 mg/dL, glicemia 90 mg/dL, TC de crânio normal. A causa mais provável para o estado de mal epiléptico da paciente é a
Pós-tireoidectomia + hipocalcemia grave (Ca 5 mg/dL) + convulsão → paratireoidectomia inadvertida.
A hipocalcemia é uma complicação comum da tireoidectomia total, geralmente devido à remoção ou lesão inadvertida das glândulas paratireoides. Níveis séricos de cálcio muito baixos (5 mg/dL) podem levar a manifestações neurológicas graves, como convulsões e estado de mal epiléptico.
A tireoidectomia total é um procedimento cirúrgico comum para neoplasias malignas da tireoide, mas não é isenta de complicações. Uma das mais importantes e potencialmente graves é a hipocalcemia, que ocorre devido à remoção inadvertida ou lesão das glândulas paratireoides, responsáveis pela produção do paratormônio (PTH) e regulação do cálcio sérico. A fisiopatologia da hipocalcemia pós-operatória envolve a diminuição abrupta do PTH, levando à redução da reabsorção óssea de cálcio, diminuição da absorção intestinal e aumento da excreção renal. Níveis séricos de cálcio abaixo de 7,0 mg/dL (ou cálcio ionizado < 1,0 mmol/L) são considerados graves e podem precipitar sintomas neurológicos como parestesias, tetania e, em casos extremos, convulsões e estado de mal epiléptico, como no caso descrito. O diagnóstico é laboratorial, com a dosagem de cálcio total e ionizado, PTH e fósforo. O tratamento consiste na reposição de cálcio, inicialmente intravenosa para casos sintomáticos ou graves, seguida por suplementação oral de cálcio e vitamina D. O manejo adequado é crucial para evitar complicações neurológicas e cardíacas, e a vigilância no pós-operatório imediato é essencial para identificar e tratar precocemente a hipocalcemia.
A hipocalcemia grave pode manifestar-se com parestesias periorais e em extremidades, espasmos musculares (tetania), sinal de Chvostek e Trousseau positivos, e em casos extremos, convulsões, laringoespasmo e arritmias cardíacas.
A conduta inicial para hipocalcemia sintomática ou grave é a reposição intravenosa de cálcio (gluconato de cálcio), seguida de cálcio oral e vitamina D, se necessário, para manter os níveis séricos adequados.
A prevenção envolve técnicas cirúrgicas cuidadosas para preservar as glândulas paratireoides, monitoramento do PTH intraoperatório e reposição profilática de cálcio e vitamina D em pacientes de alto risco.
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