Hipocalcemia Pós-Tireoidectomia: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 56a, submetida a tireoidectomia total, no segundo dia pós-operatório queixa-se de formigamento e adormecimento perioral, dor abdominal, vômitos e chiadeira no peito. Exame físico: durante a medida da pressão arterial em membro superior direito observou-se flexão do punho e das articulações metacarpofalangeanas, extensão das interfalangeanas distais e adução do polegar. A CONDUTA É ADMINISTRAR:

Alternativas

  1. A) Escopacolamina
  2. B) Gluconato de cálcio.
  3. C) Tiroxina.
  4. D) Cloreto de potássio.

Pérola Clínica

Pós-tireoidectomia + formigamento perioral + sinal de Trousseau → Hipocalcemia aguda = Gluconato de cálcio IV.

Resumo-Chave

A hipocalcemia pós-tireoidectomia é uma complicação comum devido à lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides. O sinal de Trousseau é patognomônico de tetania latente, indicando a necessidade de reposição urgente de cálcio para prevenir complicações graves.

Contexto Educacional

A hipocalcemia pós-tireoidectomia é uma das complicações mais frequentes e potencialmente graves da cirurgia de tireoide, com incidência que varia de 1% a 40%, dependendo da extensão da cirurgia e da experiência do cirurgião. É crucial para o residente reconhecer e manejar prontamente essa condição, pois a hipocalcemia sintomática pode levar a arritmias cardíacas, laringoespasmo e convulsões. A fisiopatologia envolve a lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides durante a tireoidectomia, resultando em hipoparatireoidismo e diminuição da produção de paratormônio (PTH). O PTH é essencial para a homeostase do cálcio, regulando sua reabsorção óssea, renal e intestinal. A deficiência de PTH leva à queda dos níveis séricos de cálcio. O diagnóstico é clínico, com sintomas como formigamento perioral e nas extremidades, cãibras, e sinais de tetania latente como Trousseau (espasmo carpopedal após insuflação do manguito de PA) e Chvostek (contração da musculatura facial após percussão do nervo facial). O tratamento da hipocalcemia sintomática aguda é a administração intravenosa de gluconato de cálcio. A dose e a frequência devem ser ajustadas conforme a gravidade dos sintomas e os níveis séricos de cálcio. Em casos de hipocalcemia crônica ou persistente, pode ser necessária a suplementação oral de cálcio e vitamina D. O monitoramento rigoroso dos eletrólitos no pós-operatório é fundamental para a detecção precoce e manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da hipocalcemia pós-tireoidectomia?

Os sinais clássicos incluem formigamento perioral e nas extremidades, cãibras musculares, dor abdominal, vômitos e, em casos graves, tetania com sinais de Trousseau e Chvostek, além de laringoespasmo.

Por que o gluconato de cálcio é a conduta mais correta para hipocalcemia aguda?

O gluconato de cálcio intravenoso é a forma mais rápida e eficaz de elevar os níveis séricos de cálcio em situações de hipocalcemia sintomática aguda, prevenindo complicações como arritmias cardíacas e convulsões.

Qual a fisiopatologia da hipocalcemia após tireoidectomia?

A hipocalcemia pós-tireoidectomia ocorre devido à lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides durante a cirurgia, resultando em hipoparatireoidismo transitório ou permanente e consequente deficiência de paratormônio (PTH).

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