Hipocalcemia Pós-Tireoidectomia: Diagnóstico e Sinais

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente submetido a um procedimento cirúrgico e após 3 dias do procedimento inicia um quadro de adormecimento perioral e tremores nos dedos, além de dor e contratura muscular associados aos sinais de Chvostek e Trousseau. Qual a cirurgia realizada e o distúrbio apresentado em decorrência da mesma:

Alternativas

  1. A) Pancreatectomia e hiperglicemia
  2. B) Adrenalectomia e hipofosfatemia.
  3. C) Tireoidectomia e hipocalcemia.
  4. D) Tonsilectomia e hipocalemia.
  5. E) Nefrectomia e hipercalemia.

Pérola Clínica

Adormecimento perioral, Chvostek, Trousseau pós-cirurgia cervical → Hipocalcemia por lesão paratireoide (Tireoidectomia).

Resumo-Chave

Os sintomas de adormecimento perioral, tremores, dor e contratura muscular, associados aos sinais de Chvostek e Trousseau, são manifestações clássicas de hipocalcemia. A hipocalcemia é uma complicação comum da tireoidectomia, resultante da lesão ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides, que são responsáveis pela regulação do cálcio sérico.

Contexto Educacional

A hipocalcemia é uma das complicações mais frequentes e potencialmente graves da tireoidectomia, especialmente após procedimentos mais extensos como a tireoidectomia total. Sua incidência varia, mas pode ocorrer em até 30% dos pacientes, sendo geralmente transitória, mas em alguns casos, permanente. A fisiopatologia envolve a lesão, remoção acidental ou isquemia das glândulas paratireoides durante a cirurgia, resultando em hipoparatireoidismo e consequente diminuição da produção de paratormônio (PTH), o principal hormônio regulador do cálcio sérico. Os sintomas de hipocalcemia geralmente surgem entre 24 e 72 horas após a cirurgia e incluem parestesias periorais e nas extremidades, tremores, cãibras musculares, dor e contraturas (tetania). Os sinais de Chvostek (contração dos músculos faciais ao percutir o nervo facial anterior à orelha) e Trousseau (espasmo carpopedal após insuflar um manguito de pressão arterial acima da pressão sistólica por 3 minutos) são testes clínicos importantes para o diagnóstico. Em casos graves, pode haver laringoespasmo, convulsões e arritmias cardíacas. O manejo da hipocalcemia pós-tireoidectomia envolve a monitorização dos níveis séricos de cálcio e PTH no pós-operatório. O tratamento inicial para hipocalcemia sintomática é a administração intravenosa de gluconato de cálcio. Para casos mais leves ou para manutenção, utiliza-se suplementação oral de cálcio e vitamina D. Residentes devem estar aptos a reconhecer e tratar prontamente essa complicação para evitar morbidade significativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da hipocalcemia aguda?

A hipocalcemia aguda se manifesta com sintomas neuromusculares como adormecimento e parestesias periorais e nas extremidades, tremores, espasmos musculares, dor e contraturas (tetania). Os sinais de Chvostek (espasmo facial ao tocar o nervo facial) e Trousseau (espasmo carpopedal após insuflar manguito de pressão) são patognomônicos.

Por que a tireoidectomia pode causar hipocalcemia?

A tireoidectomia, especialmente a total, pode levar à hipocalcemia devido à lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides, que são responsáveis pela produção do paratormônio (PTH). A deficiência de PTH resulta em diminuição da reabsorção óssea de cálcio, redução da absorção intestinal e aumento da excreção renal, levando à queda dos níveis séricos de cálcio.

Qual a conduta inicial para hipocalcemia pós-tireoidectomia?

A conduta inicial para hipocalcemia sintomática pós-tireoidectomia é a administração intravenosa de gluconato de cálcio para elevar rapidamente os níveis séricos. Posteriormente, pode ser necessário suplementação oral de cálcio e vitamina D, e monitoramento rigoroso dos níveis de cálcio e PTH.

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