Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021
Uma mulher de 46 anos de idade foi ao ambulatório da endocrinologia após a realização de tireoidectomia total por carcinoma medular de tireoide há trinta dias. Relata que perdeu as receitas das medicações que deveria tomar, porém segue tomando levotiroxina na dose adequada. Queixa-se de constipação importante, evacuando a cada cinco dias, mediante o uso de medicações laxativas, e de câimbras difusas. Seus familiares relatam que ela está muito irritada.Considerando o principal diagnóstico nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a alteração eletrocardiográfica mais provável de ser encontrada na paciente.
Hipocalcemia pós-tireoidectomia → câimbras, constipação, irritabilidade, QT alargado no ECG.
A hipocalcemia é uma complicação comum da tireoidectomia total, devido à lesão ou remoção das glândulas paratireoides. Manifesta-se com sintomas neuromusculares como câimbras e irritabilidade, e pode causar alterações cardíacas como o alargamento do intervalo QT no eletrocardiograma, que é um sinal de alerta para arritmias.
A tireoidectomia total, especialmente em casos de carcinoma medular de tireoide, frequentemente cursa com hipocalcemia pós-operatória. Esta complicação é decorrente da lesão, remoção inadvertida ou isquemia das glândulas paratireoides durante o procedimento, levando a um hipoparatireoidismo transitório ou permanente e, consequentemente, à diminuição dos níveis séricos de cálcio. A hipocalcemia manifesta-se por uma série de sintomas neuromusculares e cardiovasculares. A paciente da questão apresenta câimbras difusas, constipação e irritabilidade, que são sinais clássicos de hipocalcemia. No eletrocardiograma, a alteração mais provável e clinicamente relevante é o alargamento do intervalo QT, que reflete um retardo na repolarização ventricular e aumenta o risco de arritmias ventriculares graves, como Torsades de Pointes. O manejo da hipocalcemia pós-tireoidectomia envolve a monitorização dos níveis de cálcio, suplementação oral de cálcio e vitamina D, e, em casos sintomáticos ou com hipocalcemia grave, a administração intravenosa de cálcio. Residentes devem estar atentos a essa complicação comum e suas manifestações para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes submetidos à tireoidectomia.
Os sintomas incluem parestesias periorais e nas extremidades, câimbras musculares, espasmos (tetania), irritabilidade, convulsões e, em casos graves, laringoespasmo e broncoespasmo. Sinais de Chvostek e Trousseau podem estar presentes.
O cálcio desempenha um papel crucial na repolarização cardíaca. A hipocalcemia retarda a repolarização ventricular, prolongando a fase 2 do potencial de ação e, consequentemente, o intervalo QT no eletrocardiograma, aumentando o risco de arritmias ventriculares malignas.
A conduta inicial para hipocalcemia sintomática é a administração intravenosa de gluconato de cálcio. A longo prazo, o tratamento envolve suplementação oral de cálcio e vitamina D (calcitriol) para manter os níveis séricos adequados e prevenir recorrências.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo