PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Um recém-nascido a termo, grande para a idade gestacional, nasceu há 50 horas por cesariana, filho de uma mãe primigesta, de 26 anos de idade e com diabetes gestacional dependente de insulina. Apesar de assintomático, a glicemia inicial do bebê era de 25 mg/dl, mas após a alimentação, as glicemias subsequentes ficaram acima de 60 mg/dL. Após a corrigida a glicemia, o bebê apresentou-se irritado e foi observado algumas contrações e tremores nas extremidades. A causa mais provável dos problemas desta criança é:
RN de mãe diabética + Irritabilidade/Tremores após correção de glicemia → Pensar em Hipocalcemia.
Filhos de mães diabéticas apresentam alto risco de hipocalcemia neonatal, que frequentemente se manifesta com irritabilidade e tremores após o período inicial de hipoglicemia.
O recém-nascido de mãe diabética (FMD) enfrenta diversos desafios metabólicos na transição extrauterina. A hiperinsulinemia fetal, em resposta à hiperglicemia materna, causa hipoglicemia precoce. No entanto, após as primeiras 24-48 horas, outros distúrbios como a hipocalcemia e a hipomagnesemia tornam-se proeminentes. A hipocalcemia é definida como cálcio total < 7 mg/dL em RNs a termo. A cronologia do caso (50 horas de vida) é clássica para a manifestação da hipocalcemia neonatal tardia ou persistente relacionada ao diabetes materno. O diagnóstico diferencial inclui sepse e distúrbios neurológicos, mas o contexto metabólico direciona fortemente para a etiologia mineral.
O mecanismo principal envolve um hipoparatireoidismo transitório. Mães com diabetes mal controlado frequentemente apresentam hipomagnesemia devido à diurese osmótica. Isso leva à hipomagnesemia fetal, que por sua vez suprime a secreção de paratormônio (PTH) no recém-nascido e induz resistência periférica à sua ação, resultando em queda dos níveis de cálcio nos primeiros dias de vida.
A hipocalcemia neonatal pode ser assintomática ou manifestar-se através de sinais de excitabilidade neuromuscular, como tremores das extremidades, irritabilidade, choro agudo, hipertonia e, em casos mais graves, convulsões, apneia e prolongamento do intervalo QT no eletrocardiograma. No caso clínico, o surgimento desses sinais após a normalização da glicemia é um forte indício de distúrbio do cálcio.
O tratamento de urgência para RNs sintomáticos consiste na administração de Gluconato de Cálcio a 10% por via intravenosa (dose de 100-200 mg/kg ou 1-2 ml/kg), de forma lenta e sob monitorização cardíaca devido ao risco de bradicardia e arritmias. Após a fase aguda, mantém-se a oferta de cálcio via oral ou em infusão contínua, além de corrigir a hipomagnesemia se presente.
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