MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Uma mulher de 34 anos, submetida a uma tireoidectomia total há dois dias devido a um bócio multinodular, apresenta-se na emergência com queixas de formigamento perioral e nas extremidades das mãos. Ao exame físico, o médico observa uma contração involuntária dos músculos faciais ao percutir o nervo facial (sinal de Chvostek positivo). Os exames laboratoriais confirmam hipocalcemia ionizada severa por hipoparatireoidismo iatrogênico. Considerando a biofísica das membranas excitáveis, qual alteração no potencial de membrana explica a hiperexcitabilidade neuromuscular observada nesta paciente?
Sinal de Chvostek e Trousseau são clássicos da hipocalcemia; o mecanismo é sempre a queda do limiar de disparo neuronal (hiperexcitabilidade).
A homeostase do cálcio é crucial para a estabilidade das membranas excitáveis. O cálcio extracelular interage com as cargas negativas na superfície externa dos canais de sódio voltagem-dependentes. Quando os níveis de cálcio caem, a voltagem necessária para abrir esses canais diminui, ou seja, o limiar de excitabilidade torna-se menos positivo (mais negativo), aproximando-se do potencial de repouso da célula. Clinicamente, essa proximidade facilita despolarizações repetitivas e espontâneas, manifestando-se como parestesias, cãibras e sinais clássicos como Chvostek (contração facial à percussão do nervo) e Trousseau (espasmo carpal após isquemia). O diagnóstico é confirmado pela dosagem de cálcio ionizado e PTH, sendo uma complicação comum após tireoidectomias totais. O tratamento da hipocalcemia aguda sintomática envolve a reposição de gluconato de cálcio intravenoso, seguido por suplementação oral de cálcio e vitamina D (calcitriol) em casos de hipoparatireoidismo persistente, visando manter os níveis de cálcio em patamares seguros para evitar a tetania e convulsões.
O cálcio se liga a cargas negativas na superfície externa da proteína do canal, alterando a conformação elétrica necessária para que o portão de ativação se abra.
Sim, a hipomagnesemia também causa hiperexcitabilidade neuromuscular por mecanismos similares de estabilização de membrana.
O oposto: ela aumenta o limiar (torna-o mais positivo), dificultando o disparo e causando fraqueza muscular e reflexos lentos.
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