Hipocalcemia Pós-Tireoidectomia: Diagnóstico e Conduta

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere que uma mulher, 60 anos de idade, em pós-operatório imediato de tireoidectomia total, recebeu alta da sala de recuperação pós-anestésica em boas condições. Algumas horas após, no seu leito, evoluiu com quadro de urgência respiratória. Ao chegar para atendimento, a paciente está convulsionando com cessação da crise após sua chegada, mas ainda mantém respiração ruidosa com broncoespasmo e laringoespasmo. Imediatamente é garantida oferta de oxigênio por meio de máscara e bolsa reservatória tipo Ambú, o que garante a paciente uma boa saturação de oxigênio. Diante desse quadro agudo, quais são, respectivamente, a suspeita clínica e o tratamento imediato?

Alternativas

  1. A) Choque hemorrágico - hemotransfusão com concentrado de hemácias.
  2. B) Recurarização - administrar neostigmina e atropina endovenosa.
  3. C) Hematoma com desvio de traqueia - administrar ácido tranexânico.
  4. D) Hipocalcemia aguda - administrar cálcio endovenoso.

Pérola Clínica

Pós-tireoidectomia + laringoespasmo/convulsão → Hipocalcemia aguda → Gluconato de Cálcio IV.

Resumo-Chave

A retirada acidental ou isquemia das paratireoides causa queda brusca de PTH e cálcio iônico, gerando hiperexcitabilidade neuromuscular manifestada como tetania, laringoespasmo e convulsões.

Contexto Educacional

A hipocalcemia é a complicação metabólica mais comum após a tireoidectomia total. A fisiopatologia envolve a redução do paratormônio (PTH), que regula a homeostase do cálcio. Sem PTH, há menor reabsorção óssea e renal de cálcio, além de menor absorção intestinal via vitamina D. O quadro clínico varia de parestesias leves a emergências fatais como laringoespasmo e convulsões. O diagnóstico é clínico e laboratorial (cálcio iônico baixo). O tratamento de urgência exige reposição venosa lenta para evitar arritmias, enquanto casos leves podem ser manejados com cálcio e vitamina D via oral. É fundamental monitorar o cálcio sérico nas primeiras 24-48 horas de pós-operatório de cirurgias cervicais extensas.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos precoces de hipocalcemia?

Os sinais precoces incluem parestesias periorais e nas extremidades, além de hiperreflexia. Os sinais de Chvostek (contração facial ao percutir o nervo facial) e Trousseau (espasmo carpal após insuflação do manguito de pressão arterial acima da PAS por 3 minutos) são clássicos e indicam irritabilidade neuromuscular aumentada devido à queda do cálcio iônico sérico.

Por que ocorre hipocalcemia após tireoidectomia total?

A causa principal é o hipoparatiroidismo transitório ou definitivo, decorrente da manipulação excessiva, desvascularização ou remoção inadvertida das glândulas paratireoides durante o procedimento cirúrgico. Isso leva à deficiência aguda de paratormônio (PTH) e consequente queda rápida dos níveis séricos de cálcio livre.

Qual a conduta imediata no laringoespasmo hipocalcêmico?

A prioridade é a estabilização das vias aéreas com oferta de oxigênio e, simultaneamente, a administração de cálcio endovenoso. O gluconato de cálcio a 10% (10-20ml) deve ser infundido lentamente (10-20 minutos) para evitar arritmias cardíacas, visando estabilizar a membrana celular e reverter o espasmo muscular.

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