UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Homem, 88a, assintomático, comparece à consulta em Unidade Básica de Saúde para reavaliação clínica com resultados de exames. Antecedentes: hipertensão arterial, intolerância à glicose, doença arterial periférica e osteoartrite de quadril. Medicações em uso: hidroclorotiazida 25mg/dia; losartana 50mg/dia; metformina 850mg2x/dia; carbonato de cálcio 1g/dia; paracetamol 2g/dia e sulfato de glucosamina 1,5mg/dia. Exame físico: bom estado geral, PA=136x82mmHg, FC=80bpm. Colesterol total=212mg/dL,HDL=56mg/dL, LDL=82mg/dL, triglicerideos=257mg/dL, glicemia jejum=108mg/dL, creatinina=1,4mg/dL, ácido úrico=8,2mg/dL, hemoglobina glicada=7,6%. A CONDUTA É:
Idoso com hiperuricemia e uso de hidroclorotiazida → Suspender diurético tiazídico para evitar piora da gota.
O paciente idoso apresenta hiperuricemia (ácido úrico 8,2 mg/dL) e está em uso de hidroclorotiazida, um diurético tiazídico conhecido por elevar os níveis de ácido úrico e precipitar crises de gota. Dada a ausência de sintomas de gota e a presença de outras comorbidades, a suspensão da hidroclorotiazida é a conduta mais apropriada para evitar complicações relacionadas à hiperuricemia.
O manejo de pacientes idosos com múltiplas comorbidades e polifarmácia exige uma avaliação cuidadosa de todas as medicações em uso e seus potenciais efeitos adversos e interações. A hiperuricemia é uma condição comum em idosos e pode ser agravada por certos medicamentos, como os diuréticos tiazídicos. A hidroclorotiazida, um diurético amplamente utilizado no tratamento da hipertensão arterial, é conhecida por causar hiperuricemia ao reduzir a excreção renal de ácido úrico. Em pacientes com níveis elevados de ácido úrico, mesmo que assintomáticos para gota, a manutenção de um diurético tiazídico pode precipitar crises agudas ou agravar a condição, levando a complicações a longo prazo. Portanto, a revisão da farmacoterapia é essencial. Neste caso, com um paciente idoso assintomático, mas com hiperuricemia significativa e em uso de hidroclorotiazida, a conduta mais prudente é suspender o diurético tiazídico e considerar uma alternativa anti-hipertensiva que não afete o metabolismo do ácido úrico, como um bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) ou um bloqueador dos canais de cálcio. As outras opções apresentadas não abordam a causa iatrogênica da hiperuricemia e podem não ser as mais adequadas como primeira linha de ação.
A hidroclorotiazida, um diurético tiazídico, pode causar hiperuricemia ao diminuir a excreção renal de ácido úrico, aumentando seus níveis séricos e o risco de gota, especialmente em pacientes predispostos.
Em idosos com hipertensão e hiperuricemia, deve-se considerar a substituição de diuréticos tiazídicos por outras classes de anti-hipertensivos, como bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), inibidores da ECA ou bloqueadores dos canais de cálcio, que não elevam o ácido úrico.
O tratamento farmacológico para hiperuricemia assintomática geralmente não é recomendado, a menos que haja risco muito alto de gota ou outras complicações. A primeira medida é identificar e remover fatores precipitantes, como certos medicamentos, antes de considerar a terapia medicamentosa.
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