AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Paciente de 56 anos, hipertenso (em uso de losartana), procura atendimento médico por aumento do ácido úrico. Segundo informa, tem um irmão (69 anos) com história de urolitíase. Nega história de litíase ou artralgias. Ao exame físico, apresentava-se em BEG, IMC 32 kg/m², ausência de anormalidades articulares ou presença de tofos, sendo o restante do exame dentro dos limites da normalidade. Exames trazidos pelo paciente ácido úrico: 7,3 mg/dL (VN 2,5-7,0); US de aparelho urinário sem anormalidades. Diante da presença de hiperuricemia assintomática, qual a opção de tratamento inicial?
Hiperuricemia assintomática sem história de gota ou litíase → Não tratar farmacologicamente, focar em mudanças estilo de vida.
A hiperuricemia assintomática, na ausência de história de gota, litíase renal ou outras condições associadas, geralmente não requer tratamento farmacológico. A abordagem inicial deve focar em modificações do estilo de vida, como dieta, perda de peso e controle de comorbidades, mesmo com níveis ligeiramente elevados de ácido úrico.
A hiperuricemia é definida como níveis elevados de ácido úrico no sangue, geralmente acima de 7,0 mg/dL em homens e 6,0 mg/dL em mulheres. A hiperuricemia assintomática é uma condição comum, especialmente em pacientes com síndrome metabólica, obesidade e hipertensão, como no caso apresentado. Embora seja um fator de risco para gota e litíase renal, a maioria dos pacientes com hiperuricemia assintomática nunca desenvolverá essas complicações. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a produção e a excreção de ácido úrico. Fatores genéticos, dieta rica em purinas, consumo de álcool e certos medicamentos (como diuréticos tiazídicos) podem contribuir. No entanto, a presença de hiperuricemia isolada, sem sintomas de gota (artrite aguda, tofos) ou litíase renal, não é uma indicação para iniciar tratamento farmacológico. O risco de efeitos adversos dos medicamentos supera o benefício em pacientes assintomáticos. A conduta inicial para hiperuricemia assintomática deve ser não farmacológica. Isso inclui aconselhamento sobre mudanças no estilo de vida: dieta com baixa ingestão de purinas, redução do consumo de álcool (especialmente cerveja), perda de peso para pacientes com sobrepeso/obesidade, e aumento da ingestão de água. A losartana, como no caso, é benéfica por seu efeito uricosúrico. O paciente deve ser monitorado para o desenvolvimento de sintomas de gota ou litíase, que então justificariam o tratamento medicamentoso com agentes como alopurinol ou febuxostat.
A hiperuricemia assintomática geralmente não requer tratamento farmacológico. O tratamento é indicado apenas se o paciente desenvolver sintomas como crises de gota, litíase renal por ácido úrico, ou em casos de níveis muito elevados de ácido úrico com risco iminente de complicações, ou em pacientes transplantados.
As recomendações iniciais focam em modificações do estilo de vida, incluindo dieta com restrição de purinas (carnes vermelhas, frutos do mar, álcool), aumento da ingestão de líquidos, perda de peso (se IMC elevado) e controle de comorbidades como hipertensão e diabetes.
A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina II, tem um efeito uricosúrico leve, ou seja, pode ajudar a diminuir os níveis de ácido úrico. Isso a torna uma opção favorável para pacientes hipertensos com hiperuricemia, embora seu efeito não seja suficiente para tratar a gota estabelecida.
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