USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Homem de 73 anos, vem para consulta de rotina semestral com seu médico de familia e comunidade, apresenta-se assintomático, em uso regular de Losartana 50 mg de 12/12 horas e Anlodipino 5 mg 1 vez ao dia. Diagnósticos prévios: Hipertensão arterial, dislipidemia alto risco cardiovascular e sobrepeso. Exame físico: peso: 80 Kg; altura: 1,64 cm; IMC: 29 Kg/m2; pressão arterial: 127 X 78 mmHg; circunferência abdominal: 85 cm; demais dados do exame físico sem alterações. Considerando os diagnósticos do paciente, além do lipidograma, glicemia de jejum, creatinina, urina rotina e potássio qual exame laboratorial básico deve ser solicitado anualmente para este paciente?
Paciente com HAS, dislipidemia e sobrepeso → Rastrear ácido úrico anualmente devido à associação com risco cardiovascular e metabólico.
O paciente apresenta hipertensão, dislipidemia de alto risco cardiovascular e sobrepeso, componentes da síndrome metabólica. A hiperuricemia é frequentemente associada a essas condições e é um fator de risco independente para doenças cardiovasculares e renais. Embora a losartana possa reduzir o ácido úrico, o rastreamento anual é importante para monitorar essa condição, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco metabólico.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS), a dislipidemia e o sobrepeso são componentes da síndrome metabólica e representam importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares. Em pacientes com esse perfil, a avaliação e o monitoramento de outros marcadores metabólicos são cruciais para uma abordagem preventiva e terapêutica completa. O ácido úrico sérico, embora classicamente associado à gota, tem sido reconhecido como um fator de risco independente para HAS, doença renal crônica e eventos cardiovasculares. A hiperuricemia pode contribuir para a patogênese da hipertensão e da aterosclerose através de mecanismos como disfunção endotelial, inflamação e estresse oxidativo. Portanto, mesmo em pacientes assintomáticos e em uso de medicamentos como a losartana (que possui efeito uricosúrico), o rastreamento anual do ácido úrico é uma prática recomendada para identificar e manejar precocemente essa condição, otimizando o controle do risco cardiovascular e renal.
Níveis elevados de ácido úrico (hiperuricemia) estão associados à hipertensão arterial, dislipidemia, resistência à insulina e maior risco de eventos cardiovasculares. A hiperuricemia pode contribuir para a disfunção endotelial, inflamação e estresse oxidativo, fatores que promovem a aterosclerose e a progressão da doença cardiovascular.
O paciente possui múltiplos fatores de risco metabólicos (HAS, dislipidemia, sobrepeso), que frequentemente coexistem com hiperuricemia. Embora a losartana tenha um efeito uricosúrico, o monitoramento anual do ácido úrico é prudente para identificar hiperuricemia persistente ou progressiva, que pode exigir manejo específico para reduzir o risco cardiovascular e renal.
As principais causas de hiperuricemia incluem aumento da produção de ácido úrico (ex: síndromes mieloproliferativas, lise tumoral), diminuição da excreção renal (ex: insuficiência renal, uso de diuréticos tiazídicos) e fatores genéticos. A síndrome metabólica e o consumo excessivo de álcool ou alimentos ricos em purinas também contribuem.
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