Hipertrofia Ventricular Esquerda: Sinais no ECG

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um homem de 58 anos, obeso, sedentário, em tratamento de hipertensão com losartana 100 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia com queixa de dispneia e desconforto retroesternal há 4 horas. Apresenta PA: 154 × 100 mmHg, pulso: 92 bpm rítmico, estertores nas bases pulmonares, sopro sistólico + em área mitral, sem irradiação e edema leve pré-tibial bilateral.O seu ECG, apresentado acima, é característico de

Alternativas

  1. A) cor pulmonale.
  2. B) embolia pulmonar aguda.
  3. C) hiperpotassemia.
  4. D) infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST.
  5. E) hipertrofia ventricular esquerda.

Pérola Clínica

HVE no ECG: ↑ amplitude de QRS (Sokolow-Lyon, Cornell) + alterações de repolarização (padrão strain).

Resumo-Chave

A hipertrofia ventricular esquerda é uma adaptação cardíaca à sobrecarga de pressão crônica, como na hipertensão arterial não controlada. No ECG, manifesta-se por aumento da voltagem dos complexos QRS e, frequentemente, alterações secundárias da repolarização ventricular (padrão strain), que refletem isquemia subendocárdica relativa.

Contexto Educacional

A Hipertrofia Ventricular Esquerda (HVE) é uma adaptação do miocárdio ventricular esquerdo em resposta a uma sobrecarga crônica de pressão ou volume. É uma das complicações mais comuns e sérias da hipertensão arterial sistêmica, afetando milhões de pessoas globalmente. Sua detecção é crucial, pois a HVE é um preditor independente de eventos cardiovasculares adversos, incluindo insuficiência cardíaca, arritmias e morte súbita. A HVE é diagnosticada por ecocardiograma, mas o eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta de triagem acessível e importante. No ECG, a HVE é caracterizada por um aumento da voltagem dos complexos QRS (devido ao aumento da massa muscular) e, frequentemente, por alterações secundárias da repolarização ventricular, conhecidas como 'padrão strain'. Este padrão, com infradesnivelamento de ST e inversão de onda T, reflete alterações na condução e repolarização em um miocárdio hipertrofiado. O manejo da HVE envolve o controle rigoroso da causa subjacente, principalmente a hipertensão arterial, com medicamentos como inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), betabloqueadores e diuréticos. A regressão da HVE com o tratamento adequado está associada a uma melhora significativa do prognóstico cardiovascular. É fundamental que residentes saibam reconhecer os sinais eletrocardiográficos da HVE para uma intervenção precoce.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios eletrocardiográficos para HVE?

Os critérios mais utilizados incluem o Sokolow-Lyon (S em V1/V2 + R em V5/V6 > 35 mm) e o Cornell (R em aVL + S em V3 > 28 mm para homens e > 20 mm para mulheres). Outros critérios de voltagem e alterações de repolarização também são considerados.

O que significa o 'padrão strain' na HVE?

O padrão strain refere-se a alterações secundárias da repolarização ventricular, caracterizadas por infradesnivelamento do segmento ST e inversão assimétrica da onda T nas derivações com ondas R proeminentes (V5, V6, DI, aVL). Ele indica sobrecarga ventricular e não necessariamente isquemia aguda.

Quais as principais causas de hipertrofia ventricular esquerda?

A causa mais comum é a hipertensão arterial sistêmica crônica. Outras causas incluem estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica e, menos frequentemente, coarctação da aorta, todas gerando sobrecarga de pressão no ventrículo esquerdo.

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