UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022
Homem, 67a, refere dispneia aos esforços, batedeira, ansiedade, queimação retroesternal e emagrecimento não intencional de 5 kg, apesar de bom apetite, há um mês. Refere dificuldade para dormir e aumento do hábito intestinal para três vezes por dia. Antecedente pessoais: infarto do miocárdio há dois anos, em uso regular de captopril 150mg/dia, amiodarona 100 mg/dia, atorvastatina 40 mg/dia e AAS 100 mg/dia. Exame físico: PA= 152x96 mmHg; FC= 96 bpm; T= 37,3°C; FR= 16 irpm; Oximetria de pulso (ar ambiente)= 95%. A CONDUTA É:
Amiodarona + sintomas hipermetabólicos → suspeitar de disfunção tireoidiana (hipertireoidismo).
A amiodarona é um antiarrítmico com alto teor de iodo, podendo causar disfunção tireoidiana, tanto hipo quanto hipertireoidismo. Os sintomas apresentados pelo paciente (taquicardia, emagrecimento, aumento do hábito intestinal, ansiedade) são altamente sugestivos de hipertireoidismo, justificando a dosagem de TSH.
A disfunção tireoidiana induzida por amiodarona (DTIA) é uma complicação comum e importante do uso deste antiarrítmico, que contém uma grande quantidade de iodo em sua estrutura. A amiodarona pode causar tanto hipotireoidismo quanto hipertireoidismo, e a prevalência varia dependendo da região geográfica e da ingestão de iodo na dieta. É fundamental que médicos e residentes estejam atentos a essa possibilidade em pacientes em uso da medicação. O hipertireoidismo induzido por amiodarona (AIT) pode se apresentar de duas formas principais: Tipo 1, que ocorre em pacientes com doença tireoidiana subjacente (bócio, nódulos) e é causado pelo excesso de iodo; e Tipo 2, uma tireoidite destrutiva em tireoides previamente normais, causada pelo efeito citotóxico direto da droga. O diagnóstico envolve a avaliação clínica dos sintomas de tireotoxicose e a dosagem de TSH, T4 livre e T3 total. O manejo da DTIA depende do tipo e da gravidade. No caso de AIT, o tratamento pode incluir tionamidas (propiltiouracil, metimazol) para o Tipo 1 e corticosteroides para o Tipo 2, além da possível necessidade de suspensão da amiodarona, se clinicamente viável. O acompanhamento regular da função tireoidiana é essencial para todos os pacientes em uso de amiodarona.
Os sintomas incluem taquicardia, palpitações, perda de peso inexplicável, aumento do apetite, ansiedade, tremores, intolerância ao calor e aumento do hábito intestinal.
A amiodarona contém alta concentração de iodo, que pode alterar a síntese e liberação de hormônios tireoidianos, além de ter efeitos citotóxicos diretos na tireoide.
A dosagem do hormônio estimulante da tireoide (TSH) é o exame de triagem inicial mais sensível para avaliar a função tireoidiana.
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