USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Secundigesta (G2P1A0), 28 anos, com 6 semanas, procura Unidade Básica de Saúde para segunda consulta de pré- natal e traz resultados de exames laboratoriais solicitados previamente. Sem queixas obstétricas. Antecedente pessoal: Doença de Graves diagnosticada há 3 anos. Medicação em uso: metimazol. Exame físico: sem alterações. Os resultados foram os seguintes: TSH = 0,01mU/ml e T4 livre = 1,1ng/dl. Os demais exames da rotina pré-natal estão normais. Qual é o diagnóstico e a melhor conduta para o caso?
Hipertireoidismo na gestação (1º tri) com metimazol → trocar para propiltiouracil (PTU) devido risco de aplasia cútis.
A Doença de Graves na gestação exige manejo cuidadoso. No primeiro trimestre, o propiltiouracil (PTU) é preferível ao metimazol devido ao menor risco de teratogenicidade (embriopatia por metimazol, como aplasia cútis). Após o primeiro trimestre, pode-se considerar a troca de volta para metimazol, se necessário, devido ao risco de hepatotoxicidade do PTU.
O hipertireoidismo na gravidez, frequentemente causado pela Doença de Graves, é uma condição que exige manejo cuidadoso devido aos riscos maternos e fetais. A tireotoxicose não tratada pode levar a pré-eclâmpsia, insuficiência cardíaca, parto prematuro e baixo peso ao nascer. É crucial diferenciar o hipertireoidismo verdadeiro da tireotoxicose gestacional transitória, que geralmente não requer tratamento. O diagnóstico baseia-se nos níveis de TSH suprimido e T4 livre elevado. A conduta terapêutica envolve o uso de drogas antitireoidianas. A escolha da medicação é crítica, pois metimazol e propiltiouracil (PTU) possuem perfis de segurança distintos durante a gestação. O metimazol está associado a malformações congênitas, como aplasia cútis, quando usado no primeiro trimestre. Por essa razão, o PTU é a droga de primeira escolha no primeiro trimestre. Após o primeiro trimestre, o metimazol pode ser preferido devido ao risco de hepatotoxicidade associado ao PTU. O objetivo do tratamento é manter a gestante eutireoidea com a menor dose possível da medicação, monitorando TSH e T4 livre regularmente.
No primeiro trimestre da gestação, o propiltiouracil (PTU) é a droga antitireoidiana de escolha devido ao menor risco de teratogenicidade em comparação ao metimazol.
O metimazol é contraindicado no primeiro trimestre devido ao risco de embriopatia por metimazol, que inclui malformações como aplasia cútis, atresia de coanas e fístula traqueoesofágica.
Após o primeiro trimestre, o metimazol pode ser considerado, pois o risco de teratogenicidade diminui, e o PTU apresenta maior risco de hepatotoxicidade materna.
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