Hipertireoidismo e Doença de Graves: Diagnóstico e Tratamento

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de 39 anos, branca, secretária executiva em uma multinacional, refere alteração nos olhos após viagem ao exterior, a trabalho. Refere antecedente de tireoidopatia tratada há mais de 3 anos e não sabe referir o medicamento utilizado na época, mas nega uso de radioiodo e cirurgia na região tireoidiana. Além das alterações oculares, refere estar com insônia, irritação e palpitações. Sem outras queixas e sem outros antecedentes patológicos, refere tabagismo, mas nega etilismo e uso de medicações no momento. Ao exame físico: exoftalmo discreto bilateral, lagoftalmo bilateral, tremores de pálpebras e extremidades, bócio difuso, PA = 160x70 mmHg, FC = 120 bpm, mais nada digno de nota. Trouxe exames laboratoriais solicitados pelo médico do trabalho: TSH suprimido com T4 livre elevado, hemograma e funções renal e hepática dentro da normalidade. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) o hipertireoidismo subclínico que a paciente apresenta deve ser tratado com radioiodoterapia seguida pelo uso de tireia, pois já apresentou esse quadro
  2. B) o diagnóstico de hipotireoidismo deve ser pensado, pois a paciente já apresentou um quadro anterior e a recorrência justifica o seu tratamento imediato
  3. C) no momento, a conduta inicial pode ser feita com o emprego de medicações da classe das tioureias ou tionamidas e solicitação de exames de controle
  4. D) o tratamento com levotiroxina deve ser iniciado imediatamente, pois a paciente apresenta sintomatologia e exames laboratoriais alterados
  5. E) o quadro clínico e laboratorial sugere o diagnóstico de doença de Basedow-Graves e necessita de tratamento imediato com levotiroxina sódica e propranolol, seguido por cirurgia para o tratamento definitivo

Pérola Clínica

Hipertireoidismo (TSH ↓, T4 ↑) com exoftalmo/bócio → Doença de Graves. Tto inicial: tionamidas + beta-bloqueador.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro clássico de hipertireoidismo, com sintomas como insônia, irritação, palpitações, taquicardia, hipertensão e tremores, além de achados oculares (exoftalmo, lagoftalmo) e bócio difuso, sugerindo Doença de Graves. Os exames laboratoriais confirmam com TSH suprimido e T4 livre elevado. O tratamento inicial é com drogas antitireoidianas (tionamidas) para controlar a produção hormonal e beta-bloqueadores para os sintomas adrenérgicos.

Contexto Educacional

O hipertireoidismo é uma condição em que a glândula tireoide produz excesso de hormônios tireoidianos, levando a um estado de hipermetabolismo. A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, sendo uma doença autoimune caracterizada pela presença de anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb). É crucial para residentes reconhecerem a apresentação clínica e laboratorial para um manejo adequado. O diagnóstico baseia-se na apresentação clínica, que inclui sintomas como palpitações, taquicardia, tremores, perda de peso, intolerância ao calor, insônia e irritabilidade. Sinais físicos como bócio difuso e oftalmopatia de Graves (exoftalmo, lagoftalmo) são altamente sugestivos. Laboratorialmente, o hipertireoidismo é confirmado por TSH suprimido e T4 livre elevado. A dosagem de TRAb pode confirmar a etiologia autoimune. O tratamento do hipertireoidismo visa controlar a produção hormonal excessiva e aliviar os sintomas. As opções incluem drogas antitireoidianas (tionamidas), iodo radioativo e cirurgia (tireoidectomia). Na fase inicial, as tionamidas (metimazol ou propiltiouracil) são a primeira linha para controlar a doença, e os beta-bloqueadores são usados para o controle sintomático. A escolha do tratamento definitivo depende de fatores como idade do paciente, gravidade da doença, presença de oftalmopatia e preferências do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas e sinais mais comuns da Doença de Graves?

A Doença de Graves manifesta-se com sintomas de hipermetabolismo, como palpitações, taquicardia, tremores, perda de peso, intolerância ao calor, insônia e irritabilidade. Sinais específicos incluem bócio difuso, exoftalmia (oftalmopatia de Graves) e, por vezes, dermopatia tireoidiana.

Como os exames laboratoriais confirmam o diagnóstico de hipertireoidismo?

O diagnóstico laboratorial de hipertireoidismo é confirmado pela presença de TSH suprimido (baixo) e níveis elevados de hormônios tireoidianos livres (T3 livre e/ou T4 livre). A dosagem de anticorpos (TRAb) pode auxiliar na confirmação da Doença de Graves.

Qual a conduta inicial no tratamento do hipertireoidismo sintomático?

A conduta inicial envolve o uso de drogas antitireoidianas (tionamidas, como metimazol ou propiltiouracil) para inibir a síntese hormonal e beta-bloqueadores (como propranolol) para controlar os sintomas adrenérgicos, como taquicardia e tremores, até que os níveis hormonais se normalizem.

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