HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023
Paciente 70 anos, sexo feminino, procura atendimento com quadro de piora do estado geral há alguns meses, informa que tem observado perda de peso, mesmo com aumento do apetite. Relata que tem apresentado tremor de extremidades ocasionalmente. E o que tem mais lhe incomodado são as palpitações que tem se tornado mais frequentes, principalmente nas últimas 2 semanas atrapalhando suas atividades da vida diária. Informa ser apenas hipertensa em uso de hidroclorotiazida. Nega outras comorbidades. Você observa os exames solicitados em última consulta em UBS que ainda não haviam sido avaliados e opta por realizar um ECG de 12 derivações. Ao exame: PA: 145x90mmHg, Sat.99%, FR: 18irmp, FC:144bpm, Hb: 10,1g/dL, Ht: 29%, GL: 4500, Plaq: 129.000mm³, TSH: 0,001 e T4L: 5,4. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS adequada.
Hipertireoidismo + FA → Controle FC (betabloqueador), anticoagulação (CHA2DS2-VASc), e tratamento da tireotoxicose (antitiroidiano).
Paciente idosa com sintomas de tireotoxicose e FA de alta resposta ventricular requer controle imediato da frequência cardíaca com betabloqueador, anticoagulação devido ao risco embólico da FA, e tratamento da causa base com antitireoidiano. A anemia e plaquetopenia devem ser investigadas, mas o foco inicial é a tireotoxicose e FA.
O hipertireoidismo é uma condição endócrina comum, especialmente em idosos, que pode levar a diversas manifestações cardiovasculares, incluindo a fibrilação atrial (FA). A FA em pacientes com tireotoxicose aumenta significativamente o risco de eventos tromboembólicos, como acidente vascular cerebral, tornando o diagnóstico e manejo rápidos cruciais para a morbimortalidade. A apresentação clínica em idosos pode ser atípica, com sintomas menos evidentes, exigindo alta suspeição. O diagnóstico é confirmado por exames laboratoriais, com TSH suprimido e T3/T4 elevados. O manejo da FA em pacientes tireotóxicos envolve três pilares: controle da frequência cardíaca (geralmente com betabloqueadores como atenolol ou metoprolol), anticoagulação (baseada no escore CHA2DS2-VASc, com warfarina ou NOACs), e tratamento da tireotoxicose subjacente (com drogas antitireoidianas como metimazol ou propiltiouracil). A escolha do betabloqueador deve considerar comorbidades, como a hipertensão. A estabilização do estado tireotóxico é fundamental antes de considerar estratégias de controle de ritmo, como a cardioversão. A anticoagulação deve ser iniciada prontamente, especialmente em pacientes com alto risco. O acompanhamento da função tireoidiana e a monitorização dos efeitos adversos das medicações são essenciais para otimizar o tratamento e prevenir complicações a longo prazo.
Em idosos, o hipertireoidismo pode apresentar-se de forma atípica, com sintomas menos exuberantes, como fadiga, perda de peso, palpitações e tremor, o que é conhecido como "tireotoxicose apática".
A fibrilação atrial, especialmente em pacientes idosos e com comorbidades, confere alto risco de eventos tromboembólicos. A anticoagulação é crucial para prevenir AVC, mesmo que a FA seja secundária ao hipertireoidismo.
Controle de frequência visa manter a frequência cardíaca dentro de limites aceitáveis (ex: <110 bpm) sem necessariamente reverter para ritmo sinusal. Controle de ritmo busca restaurar e manter o ritmo sinusal. Em casos agudos e estáveis, o controle de frequência é geralmente a primeira abordagem.
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