INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 35 anos de idade é admitida na Unidade de Emergência em razão de uma situação de estresse. Desde o divórcio, há 2 anos, mora com os pais, os quais referem que a paciente tem estado inquieta há alguns meses, apresentando irritabilidade contínua e “crises nervosas” com muitos tremores e irritação, situações que vêm se agravando. A paciente admite sua irritabilidade, mas, por sua vez, refere que os pais a tratam “como criança” e que a insistência em levá-la ao médico é um dos motivos de sua irritação. Ao exame, a paciente apresenta agitação mental sem perda da autocrítica, tremores finos nos membros superiores, reflexos patelares e bicipitais exacerbados, com aumento de área reflexógena bilateralmente. A palpação da tireoide não revela bócio ou nodulação. Nesse caso, deve ser solicitada:
Irritabilidade + tremores finos + hiperreflexia → Dosar TSH e T4L (excluir tireotoxicose).
Sintomas de agitação e irritabilidade podem mimetizar transtornos psiquiátricos, mas sinais físicos como tremores finos e hiperreflexia exigem exclusão de causas orgânicas, especialmente o hipertireoidismo.
O diagnóstico diferencial entre transtornos mentais e doenças sistêmicas é um pilar da prática médica. O hipertireoidismo, caracterizado pelo excesso de T3 e T4, provoca um estado hipermetabólico que afeta o sistema nervoso central e periférico. A irritabilidade e a agitação mental, acompanhadas de sinais objetivos como tremores e hiperreflexia, são clássicas da tireotoxicose. A conduta inicial correta envolve a solicitação de TSH e T4 livre. Um TSH suprimido com T4L elevado confirma o diagnóstico. Ignorar a possibilidade orgânica pode levar a tratamentos psiquiátricos ineficazes e ao agravamento de complicações cardiovasculares da tireotoxicose.
O excesso de hormônios tireoidianos (tireotoxicose) aumenta a sensibilidade aos receptores beta-adrenérgicos, mimetizando quadros de ansiedade, agitação e irritabilidade. A dosagem de TSH é o teste de triagem mais sensível para identificar disfunções tireoidianas antes de rotular o paciente com um transtorno puramente psiquiátrico.
Embora ambos apresentem taquicardia, o hipertireoidismo frequentemente se manifesta com tremores finos de extremidades, hiperreflexia com aumento da área reflexógena, perda de peso apesar do apetite preservado e, em alguns casos, bócio ou exoftalmia.
O feocromocitoma deve ser considerado se houver paroxismos de hipertensão grave, cefaleia, sudorese profusa e palpitações. No caso clínico apresentado, a irritabilidade contínua e os reflexos exacerbados direcionam mais fortemente para a tireoide.
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