Hipertermia Maligna: Diagnóstico e Tratamento com Dantrolene

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2024

Enunciado

Criança com 12 anos de idade com programação cirúrgica de apendicectomia por laparotomia. Paciente com história de 24 horas de febre, dor abdominal e ausência de aceitação alimentar. Não estava recebendo nenhum fármaco. Tem história de cirurgia pregressa, há 3 anos, com anestesia geral, para redução de fratura de rádio. Sinais vitais pré-operatórios sem alterações, exceto pela presença de febre (38,4°C). Quinze minutos após o início do procedimento cirúrgico houve aumento da FC e PetCO2, realizada aspiração de COT sem obstrução. Mesmo com a interrupção do procedimento e ajustes de ventilação mecânica o paciente continuou a piorar, feito diagnóstico de hipertermia maligna. Nessa situação qual o fármaco de escolha?

Alternativas

  1. A) Gluconato de cálcio.
  2. B) Dantrolene.
  3. C) Noradrenalina.
  4. D) Concentrado de hemácias.

Pérola Clínica

Crise de Hipertermia Maligna (HM) → Aumento súbito PetCO2, taquicardia, rigidez muscular = Dantrolene sódico IMEDIATO.

Resumo-Chave

A hipertermia maligna é uma condição farmacogenética rara e potencialmente fatal desencadeada por agentes anestésicos inalatórios e succinilcolina. O aumento súbito do PetCO2 é um sinal precoce e sensível. O tratamento de escolha é o dantrolene sódico, que atua relaxando o músculo esquelético.

Contexto Educacional

A hipertermia maligna (HM) é uma síndrome farmacogenética rara, mas potencialmente fatal, que ocorre em indivíduos suscetíveis expostos a agentes anestésicos inalatórios voláteis (como halotano, isoflurano, sevoflurano) ou ao relaxante muscular despolarizante succinilcolina. Sua incidência é baixa, mas a mortalidade pode ser alta se não for prontamente reconhecida e tratada. É crucial para anestesiologistas e cirurgiões estarem cientes dessa condição. A fisiopatologia da HM envolve uma disfunção no receptor de rianodina (RyR1) do músculo esquelético, que regula a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático. A exposição aos agentes desencadeantes leva a uma liberação descontrolada de cálcio intracelular, resultando em contrações musculares sustentadas, aumento do metabolismo, produção excessiva de calor, acidose metabólica e hipercalemia. O diagnóstico é clínico, com o aumento súbito do PetCO2 sendo um dos sinais mais precoces e sensíveis, seguido por taquicardia, rigidez muscular e hipertermia. O tratamento imediato da crise de HM consiste na interrupção dos agentes desencadeantes, hiperventilação com oxigênio a 100% e administração intravenosa de dantrolene sódico. O dantrolene é um relaxante muscular direto que atua no RyR1, bloqueando a liberação de cálcio. Medidas de suporte, como resfriamento, correção da acidose e hipercalemia, também são essenciais. A pronta intervenção com dantrolene é fundamental para reduzir a morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sinais de alerta da hipertermia maligna durante a cirurgia?

Os primeiros sinais incluem aumento súbito e inexplicável do PetCO2, taquicardia, rigidez muscular (especialmente de masseter) e instabilidade hemodinâmica.

Como o dantrolene sódico age no tratamento da hipertermia maligna?

O dantrolene sódico atua diretamente no músculo esquelético, inibindo a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático, o que interrompe o processo contrátil e a produção excessiva de calor.

Quais agentes anestésicos podem desencadear uma crise de hipertermia maligna?

Os principais agentes desencadeantes são os anestésicos inalatórios voláteis (halotano, isoflurano, sevoflurano, desflurano) e o relaxante muscular despolarizante succinilcolina.

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