AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2025
Criança de 4 anos, no transoperatório de adenoidectomia, faz hipertermia de 41°C e apresenta baixo débito cardíaco. Imediatamente, é administrado dantrolene, pois inferiu-se corretamente que o gatilho foi:
Hipertermia maligna = hipertermia + rigidez muscular + taquicardia + acidose + dantrolene.
A hipertermia maligna é uma condição farmacogenética rara e potencialmente fatal, desencadeada por agentes anestésicos voláteis (como halotano, isoflurano) e/ou succinilcolina. Caracteriza-se por hipermetabolismo muscular, levando a hipertermia, rigidez, taquicardia, acidose e rabdomiólise, sendo o dantrolene seu tratamento específico.
A hipertermia maligna (HM) é uma síndrome farmacogenética rara, mas potencialmente fatal, que ocorre em indivíduos suscetíveis quando expostos a agentes anestésicos voláteis (como sevoflurano, isoflurano) e/ou succinilcolina. É caracterizada por um estado hipermetabólico do músculo esquelético, resultando em aumento da produção de calor, rigidez muscular, taquicardia, acidose metabólica e hipercapnia. O reconhecimento precoce e o tratamento imediato são vitais para a sobrevida do paciente, sendo um tópico importante para residentes de anestesiologia, cirurgia e terapia intensiva. A fisiopatologia da HM envolve uma alteração no receptor de rianodina tipo 1 (RYR1) no retículo sarcoplasmático das células musculares, que regula a liberação de cálcio. Em indivíduos suscetíveis, a exposição aos gatilhos leva a uma liberação descontrolada e prolongada de cálcio intracelular, resultando em contração muscular sustentada e aumento do metabolismo aeróbio e anaeróbio. Isso gera calor excessivo, consumo de ATP, produção de lactato e CO2, e eventual dano muscular (rabdomiólise). O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de hipertermia, rigidez muscular e acidose metabólica em um paciente sob anestesia. O tratamento é emergencial e consiste na suspensão imediata dos agentes gatilho, hiperventilação com oxigênio a 100%, resfriamento do paciente e administração intravenosa de dantrolene. O dantrolene é o único tratamento específico, agindo para bloquear a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático. O manejo de complicações como arritmias, hipercalemia e insuficiência renal aguda também é fundamental.
Os sinais incluem hipertermia (temperatura > 38,8°C), rigidez muscular (especialmente masseter), taquicardia, taquipneia, acidose metabólica, hipercapnia e arritmias. A elevação rápida da temperatura é um achado tardio.
O dantrolene atua diretamente no músculo esquelético, inibindo a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático ao se ligar ao receptor de rianodina (RYR1), o que reduz o metabolismo muscular e a produção de calor.
Os principais gatilhos são os agentes anestésicos voláteis inalatórios (ex: halotano, isoflurano, sevoflurano, desflurano) e o relaxante muscular despolarizante succinilcolina. A suscetibilidade é geneticamente determinada.
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