IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Mulher de 48 anos foi internada para realização de cirurgia eletiva de abdominoplastia. No pré-operatório, os exames estavam todos normais, sendo a paciente classificada como risco cirúrgico ASA I. Foi realizada a indução anestésica, sob anestesia geral, com sevoflurano, fentanil, propofol e atracúrio. A cirurgia iniciou sem intercorrências, porém após 1 hora de ato anestésicocirúrgico, desenvolveu-se quadro de taquicardia, sudorese profusa, aumento da capnometria, rigidez muscular e hipertermia (41,5 °C). Diante do exposto, além de hidratação intravenosa vigorosa e resfriamento ativo da paciente, a melhor conduta para o caso é:
↑ EtCO2 precoce + Rigidez + Hipertermia → Hipertermia Maligna → Dantrolene IMEDIATO.
A hipertermia maligna é uma crise hipermetabólica desencadeada por anestésicos halogenados ou succinilcolina, exigindo interrupção dos gatilhos e administração rápida de dantrolene.
A hipertermia maligna (HM) é uma desordem farmacogenética autossômica dominante rara, mas potencialmente fatal. A fisiopatologia envolve uma mutação no gene RYR1, que codifica o canal de liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático no músculo esquelético. Quando exposto a agentes gatilhos, ocorre um influxo maciço de cálcio no citoplasma, gerando contração muscular persistente, consumo excessivo de ATP, produção de calor e acidose lática/respiratória. O manejo imediato inclui a interrupção do agente gatilho, hiperventilação com O2 a 100%, resfriamento ativo e a administração de dantrolene sódico (dose inicial de 2,5 mg/kg). Além disso, deve-se tratar a hipercalemia e monitorar a mioglobinúria para prevenir insuficiência renal aguda. A vigilância em UTI por pelo menos 24-48 horas é mandatória devido ao risco de recrudescência.
O sinal mais precoce e sensível é o aumento súbito e sustentado da concentração de CO2 expirado (EtCO2), que reflete o estado hipermetabólico celular. Taquicardia e taquipneia (se o paciente estiver em ventilação espontânea) também ocorrem cedo, enquanto a hipertermia franca é muitas vezes um evento mais tardio na progressão da crise.
O dantrolene é um relaxante muscular de ação direta que atua especificamente nos receptores de ryanodina (RYR1) no retículo sarcoplasmático. Ele inibe a liberação excessiva de cálcio intracelular, que é a causa primária da contração muscular sustentada e do hipermetabolismo observados na hipertermia maligna, revertendo assim o quadro clínico.
Os principais gatilhos são todos os agentes anestésicos inalatórios halogenados (como sevoflurano, isoflurano e desflurano) e o relaxante muscular despolarizante succinilcolina. Agentes como propofol, etomidato, opioides e relaxantes não despolarizantes (como o atracúrio citado na questão) são considerados seguros.
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