Hipertermia Maligna: Manejo de Emergência e Complicações

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 40 anos de idade, hígida, submeteu-se à rinoplastia eletiva. Na indução anestésica, administrou-se midazolam, fentanil, propofol e atracúrio. Anestesia mantida com isoflurano. Após duas horas, a paciente evolui com hipercarbia (65 mmHg), taquicardia (130 bpm), hipoxemia (86%), instabilidade hemodinâmica (PA 90 x 50 mmHg), hipertermia (42 ºC) e contratura muscular generalizada. Com esse quadro, a cirurgia e o isoflurano foram suspensos, a FiO₂ foi aumentada para 100%, iniciado dantrolene, noradrenalina e resfriamento corporal. Exames: K = 6,0 mEq/L, creatinofosfoquinase = 4000 U/L (valor normal até 200 U/L) e acidose metabólica e respiratória. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Expansão com soro fisiológico, bicarbonato de sódio, solução de insulina e glicose, furosemida.
  2. B) Succinilcolina, expansão com ringer lactato, dopamina, aminofilina.
  3. C) Bicarbonato de sódio, betabloqueador, ácido acetilsalicílico e expansão com soro glicosado.
  4. D) Solução de insulina e dextrose, inibidor da ciclo-oxigenase 2, expansão com coloide e sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

Hipertermia Maligna: Dantrolene + suspender gatilho + resfriamento + tratar hipercalemia/acidose/IRA.

Resumo-Chave

A hipertermia maligna é uma emergência anestésica rara, mas potencialmente fatal, caracterizada por um estado hipermetabólico. O tratamento envolve a suspensão imediata dos agentes desencadeantes, administração de dantrolene, resfriamento agressivo e manejo das complicações como hipercalemia, acidose e rabdomiólise.

Contexto Educacional

A hipertermia maligna (HM) é uma síndrome farmacogenética rara, mas grave, que se manifesta como uma crise hipermetabólica do músculo esquelético. É desencadeada por agentes anestésicos voláteis (como isoflurano) e succinilcolina em indivíduos geneticamente suscetíveis, sendo uma emergência anestésica com alta mortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve uma liberação descontrolada de cálcio do retículo sarcoplasmático, levando a contração muscular sustentada, aumento do metabolismo, produção excessiva de calor, hipercarbia, acidose láctica e rabdomiólise. O diagnóstico é clínico, baseado nos sinais e sintomas característicos durante ou após a anestesia. O manejo é multifacetado: suspensão imediata dos agentes desencadeantes, administração de dantrolene (relaxante muscular que atua no receptor de rianodina), resfriamento corporal agressivo, hiperventilação com oxigênio a 100% e tratamento das complicações, como hipercalemia (insulina/glicose, bicarbonato), acidose (bicarbonato) e prevenção de insuficiência renal aguda (hidratação vigorosa, diuréticos).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da hipertermia maligna?

Os sinais incluem hipertermia grave, taquicardia, hipercarbia, rigidez muscular, acidose metabólica e respiratória, hipercalemia e elevação da creatinofosfoquinase (CPK).

Qual é o tratamento de primeira linha para a hipertermia maligna?

O tratamento de primeira linha é a suspensão imediata dos agentes anestésicos desencadeantes, administração intravenosa de dantrolene, resfriamento corporal agressivo e manejo das complicações metabólicas.

Por que a hipercalemia é uma preocupação na hipertermia maligna e como é tratada?

A hipercalemia ocorre devido à rabdomiólise e pode levar a arritmias cardíacas fatais. É tratada com insulina e glicose, bicarbonato de sódio e, se necessário, diálise.

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