Hipertermia Maligna: Diagnóstico e Tratamento de Emergência

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Paciente masculino, 22 anos, é submetido à laparotomia por apresentar abdome agudo. Na sala de recuperação anestésica, subitamente desenvolve intensas contraturas com rigidez muscular, febre alta de 42°C e embotamento do sensório. Os exames laboratoriais imediatamente coletados evidenciam acidose metabólica e hipercalcemia. O ECG mostra uma taquicardia supraventricular. O diagnóstico foi fechado em hipertermia maligna. Nessa possibilidade, qual a conduta terapêutica indicada?

Alternativas

  1. A) Verapamil, 1 ampola EV + diazepam 10 mg IM e observação. 
  2. B) Succinilcolina, 1 a 2 mg/kg EV, em bolus de 10 em 10 minutos, até cessar o quadro. 
  3. C) Dantrolene, 1 a 2,5 mg/kg EV, a cada 5 ou 10 minutos, não excedendo 10 mg/kg.
  4. D) Ventilação mecânica + diazepam EV + adenosina EV.
  5. E) Cardioversão elétrica sincronizada. 

Pérola Clínica

Hipertermia Maligna → Dantrolene EV (1 a 2,5 mg/kg, repetir até 10 mg/kg).

Resumo-Chave

A hipertermia maligna é uma emergência anestésica rara, mas potencialmente fatal, desencadeada por agentes anestésicos voláteis e/ou succinilcolina. Caracteriza-se por rigidez muscular generalizada, febre alta, taquicardia, acidose metabólica e hipercapnia. O tratamento específico e salvador é a administração intravenosa de dantrolene.

Contexto Educacional

A hipertermia maligna (HM) é uma condição farmacogenética rara, mas de alto risco, caracterizada por uma crise hipermetabólica do músculo esquelético. É desencadeada por agentes anestésicos voláteis (como halotano, isoflurano, sevoflurano) e/ou succinilcolina em indivíduos geneticamente suscetíveis. O reconhecimento rápido e o tratamento imediato são cruciais para a sobrevivência do paciente. A fisiopatologia envolve uma alteração no receptor de rianodina (RyR1) no retículo sarcoplasmático das células musculares, levando a uma liberação descontrolada de cálcio intracelular. Isso resulta em contração muscular sustentada, aumento do metabolismo, produção excessiva de calor (hipertermia), consumo de oxigênio e produção de CO2. Clinicamente, manifesta-se por rigidez muscular (especialmente masseter), taquicardia, taquipneia, hipercapnia, febre alta (podendo atingir 42°C), acidose metabólica e arritmias. O tratamento da hipertermia maligna é uma emergência e consiste na interrupção imediata dos agentes desencadeantes, hiperventilação com oxigênio a 100%, resfriamento do paciente e, mais importante, a administração intravenosa de dantrolene sódico. O dantrolene atua bloqueando a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático, revertendo a crise hipermetabólica. A dose inicial é de 1 a 2,5 mg/kg EV, repetida a cada 5-10 minutos até a resolução dos sintomas, não excedendo 10 mg/kg.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da hipertermia maligna?

Os sinais incluem rigidez muscular (especialmente masseter), taquicardia, taquipneia, aumento do CO2 expirado (hipercapnia), febre alta (pode atingir 42°C), sudorese profusa, arritmias e instabilidade hemodinâmica. Acidose metabólica e hipercalcemia são achados laboratoriais comuns.

Por que o dantrolene é o tratamento específico para hipertermia maligna?

O dantrolene atua diretamente no músculo esquelético, inibindo a liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático. Isso interrompe a cascata hipermetabólica que causa a rigidez muscular e a produção excessiva de calor na hipertermia maligna, sendo o único tratamento etiológico.

Quais são os agentes desencadeantes da hipertermia maligna?

Os principais agentes desencadeantes são os anestésicos inalatórios voláteis (halotano, isoflurano, sevoflurano, desflurano) e o relaxante muscular despolarizante succinilcolina. A hipertermia maligna é uma condição genética autossômica dominante que predispõe a essa reação.

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