Hipertermia em Crianças: Manejo e Diferença da Febre

UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2015

Enunciado

Criança de 06 anos vem ao ambulatório às 17h, acompanhada pela mãe, que informa que a menor está com 39°C de temperatura axilar. Não apresenta nenhuma outra queixa, nem nenhuma outra anormalidade no exame físico além do aumento de temperatura. A genitora diz que tem um “galeto” e que a menor ficou com ela das 9h às 15h assando churrasco, sem nenhum problema de saúde até então. Qual a melhor conduta para o caso?

Alternativas

  1. A) Banho com água fria;
  2. B) Prescrever antibiótico;
  3. C) Antitérmico;
  4. D) Antibiótico + antitérmico; 
  5. E) Conduta expectante.

Pérola Clínica

Criança com hipertermia por exposição ao calor (churrasco), sem outros sintomas → resfriamento físico (banho água fria) é a conduta inicial.

Resumo-Chave

A criança apresenta hipertermia devido à exposição prolongada ao calor ambiental ("assando churrasco"), e não febre de origem infecciosa, pois não há outros sintomas. Nesses casos, a conduta primária é o resfriamento físico, como um banho com água fria ou morna, para reduzir a temperatura corporal. Antitérmicos não são eficazes na hipertermia de origem ambiental.

Contexto Educacional

A distinção entre febre e hipertermia é fundamental na prática pediátrica. Febre é uma resposta fisiológica a um estímulo, geralmente infeccioso, onde o ponto de ajuste hipotalâmico é elevado, resultando em aumento da temperatura corporal. Já a hipertermia é um desequilíbrio entre a produção e a dissipação de calor, levando a um aumento da temperatura corporal sem alteração do ponto de ajuste hipotalâmico, frequentemente causada por fatores ambientais ou exercícios extenuantes. No caso apresentado, a criança foi exposta a um ambiente quente por várias horas, sugerindo hipertermia ambiental. A conduta para hipertermia ambiental difere da conduta para febre. Enquanto na febre os antitérmicos são eficazes por atuarem no centro termorregulador, na hipertermia eles não têm efeito. O tratamento principal da hipertermia é o resfriamento físico rápido para diminuir a temperatura corporal. Isso pode ser feito com banhos de água fria ou morna, compressas frias, remoção de roupas e ventilação. A hidratação oral também é importante, se a criança estiver consciente e tolerando. É crucial monitorar a criança para sinais de golpe de calor, uma forma grave de hipertermia que pode levar a disfunção de múltiplos órgãos. Sinais como alteração do nível de consciência, convulsões, vômitos persistentes ou desidratação grave indicam a necessidade de atendimento médico de emergência. No caso descrito, a ausência de outras queixas além da temperatura elevada, após exposição prolongada ao calor, aponta para uma hipertermia leve a moderada, onde o resfriamento físico é a medida mais apropriada e imediata.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre febre e hipertermia?

Febre é um aumento da temperatura corporal devido a uma elevação do ponto de ajuste hipotalâmico, geralmente por infecção. Hipertermia é um aumento da temperatura corporal acima do ponto de ajuste normal, devido à incapacidade de dissipar calor excessivo, como na exposição ambiental.

Por que antitérmicos não são indicados para hipertermia ambiental?

Antitérmicos atuam no centro termorregulador do hipotálamo, que está intacto na hipertermia ambiental. Eles não são eficazes para reduzir a temperatura quando o problema é a sobrecarga de calor externo e a falha nos mecanismos de dissipação.

Quais são os sinais de alerta de um golpe de calor grave em crianças?

Sinais de alerta incluem alterações do estado mental (confusão, irritabilidade, letargia), convulsões, pele quente e seca (embora possa haver sudorese inicial), taquicardia, taquipneia e hipotensão, indicando necessidade de atendimento de emergência.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo