Sepse 3: Critérios Diagnósticos e Classificação Atual

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 76 anos, hipertenso, diabético, portador de Alzheimer, com história de há 3 dias ter apresentado quadro de vômito e possível bronco-aspiração. Deu entrada no pronto socorrro 1 dia depois em insuficiência respiratória e com os seguintes sinais vitais e exames: FR:30 IPM SAT 86%, PaO2 : 40 mmHg, Pressão Arterial: 80/40 mmHg, Escala de Coma de Glasgow 12, oligúria com creatinina sérica: 3,2 mg/dl, Plaquetas: 40.000 mm³. Seguindo critério diagnóstico do Sepse 3 (2016) esse paciente é classificado como:

Alternativas

  1. A) Sepse
  2. B) Sepse grave
  3. C) Choque séptico
  4. D) Falência múltipla de órgãos

Pérola Clínica

Sepse = infecção + disfunção orgânica (SOFA ≥ 2). Choque séptico = sepse + vasopressor para PAM ≥ 65 + lactato > 2.

Resumo-Chave

O paciente apresenta infecção presumida (broncoaspiração) e múltiplas disfunções orgânicas (respiratória, cardiovascular, renal, hematológica, neurológica), caracterizando sepse pelos critérios do Sepse-3 (SOFA ≥ 2). A hipotensão não responsiva a fluidos e lactato elevado seriam necessários para choque séptico.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e grave, definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de mortalidade em UTIs e um desafio diagnóstico e terapêutico. A compreensão dos critérios Sepse 3 (2016) é fundamental para residentes. A fisiopatologia da sepse envolve uma resposta inflamatória e anti-inflamatória desregulada, levando a disfunção endotelial, microtrombose e hipoperfusão tecidual. O diagnóstico de sepse é estabelecido pela presença de infecção (neste caso, broncoaspiração) e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA. No paciente do caso, há disfunção respiratória (PaO2/FiO2 < 300), cardiovascular (hipotensão com necessidade de vasopressor implícita pela PA 80/40), renal (creatinina elevada, oligúria), hematológica (plaquetopenia) e neurológica (Glasgow 12). O manejo da sepse é uma emergência médica, com foco na identificação e tratamento da fonte de infecção, antibioticoterapia precoce de amplo espectro, reposição volêmica e suporte hemodinâmico. O choque séptico, uma forma mais grave, requer vasopressores para manter a pressão arterial e monitoramento do lactato. O reconhecimento precoce e a implementação do "bundle da sepse" são cruciais para melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para sepse segundo o Sepse 3 (2016)?

Sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Clinicamente, é diagnosticada pela presença de infecção suspeita ou confirmada e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment).

Como o escore SOFA é utilizado no diagnóstico de sepse?

O escore SOFA avalia a disfunção de seis sistemas orgânicos (respiratório, cardiovascular, hepático, coagulação, renal e neurológico) com base em parâmetros laboratoriais e clínicos. Um aumento de ≥ 2 pontos no SOFA em relação ao basal (ou 0 se não houver disfunção prévia) na presença de infecção indica sepse.

Qual a diferença entre sepse e choque séptico?

Choque séptico é um subconjunto da sepse onde as anormalidades circulatórias e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. É diagnosticado quando, apesar de adequada reposição volêmica, o paciente necessita de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e tem lactato sérico > 2 mmol/L.

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