Manejo de DAPT em Pacientes com Dengue e Stent Recente

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente hipertenso, diabético e coronariopata com quadro de dengue. Prova do laço positiva e gengivorragia ao escovar os dentes. Hemograma com 47 mil plaquetas. Esse paciente teve um infarto do miocárdio colocando stent farmacológico há 45 dias e está em uso contínuo de ácido acetil salicílico (AAS) e clopidogrel. A orientação correta nesse momento é:

Alternativas

  1. A) Suspender o clopidogrel e manter o AAS.
  2. B) Suspender AAS e clopidogrel.
  3. C) Suspender AAS e manter clopidogrel.
  4. D) Manter AAS e clopidogrel.

Pérola Clínica

Dengue + Stent recente (< 6 meses) → Manter DAPT apesar da plaquetopenia (salvo sangramento grave).

Resumo-Chave

Em pacientes com stent farmacológico recente (alto risco de trombose), a dupla antiagregação plaquetária (DAPT) deve ser mantida na dengue, a menos que haja sangramento com risco de vida.

Contexto Educacional

O manejo de pacientes com dengue e comorbidades cardiovasculares é um desafio crescente. A dengue causa plaquetopenia e disfunção endotelial, aumentando o risco hemorrágico. No entanto, pacientes com stents coronarianos recentes dependem da antiagregação para manter a patência do vaso. As diretrizes brasileiras de cardiologia e os manuais do Ministério da Saúde sugerem que a manutenção da DAPT é preferível em pacientes de alto risco isquêmico. A decisão deve ser individualizada, monitorando rigorosamente os sinais de choque e sangramentos cavitários. A hidratação precoce e adequada é a medida mais eficaz para prevenir complicações graves em ambos os cenários.

Perguntas Frequentes

Pode manter AAS e Clopidogrel na dengue?

Sim, a recomendação atual, especialmente em pacientes com intervenção coronariana percutânea recente (menos de 6 meses para stents farmacológicos de nova geração), é manter a dupla antiagregação plaquetária (DAPT). O risco de trombose de stent, que é uma complicação frequentemente fatal, supera o risco de sangramento aumentado pela dengue na maioria dos cenários. A suspensão só deve ser considerada em casos de sangramento grave, choque hemorrágico ou plaquetopenia extrema com sangramento ativo importante, sempre em decisão compartilhada com a cardiologia.

Qual o risco de suspender a DAPT precocemente?

A suspensão prematura da DAPT, especialmente nos primeiros meses após o implante de um stent, é o principal fator de risco para a trombose do stent. A trombose do stent manifesta-se geralmente como um infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST) e possui altas taxas de mortalidade (até 40%). Na dengue, o estado inflamatório e a hemoconcentração podem até aumentar o risco trombótico, tornando a manutenção da terapia antiplaquetária ainda mais crítica em pacientes coronariopatas instáveis.

Como manejar o sangramento na dengue em usuários de antiplaquetários?

O manejo foca no suporte clínico e na hidratação vigorosa, que é o pilar do tratamento da dengue. Sangramentos leves, como gengivorragia ou petéquias, não são indicações absolutas para suspender a antiagregação. Se houver sangramento grave (digestivo alto, intracraniano), a medicação deve ser suspensa e medidas de suporte, como transfusão de plaquetas ou concentrado de hemácias, devem ser avaliadas. O uso de inibidores de bomba de prótons pode ser considerado para proteção gástrica em pacientes em uso de DAPT.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo