Hipertensão Secundária: Causas e Diagnóstico Diferencial

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2015

Enunciado

Sobre a hipertensão secundária, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O hipertireoidismo, a coarctação de aorta e a apneia do sono são causas de hipertensão secundária.
  2. B) A hipertensão secundária é característica daqueles pacientes com hipertensão resistente, com início antes dos 20 ou depois dos 50 anos e naqueles pacientes com pressão arterial bem controlada e que, subitamente, tornou-se descontrolada.
  3. C) A estenose de artéria renal é uma das causas de hipertensão secundária, sendo causada principalmente por displasia fibromuscular em mulheres jovens.
  4. D) O hiperaldosteronismo primário é uma das causas mais comuns de hipertensão secundária. O diagnóstico é firmado pela presença de hipocalemia, aumento de aldosterona plasmática e aumento da atividade plasmática de renina.

Pérola Clínica

Hiperaldosteronismo primário: ↑ aldosterona, ↓ renina (supressão), e frequentemente hipocalemia.

Resumo-Chave

O hiperaldosteronismo primário é caracterizado por níveis elevados de aldosterona e, crucialmente, atividade plasmática de renina SUPRIMIDA (baixa), devido ao feedback negativo. A presença de hipocalemia é comum, mas não obrigatória. A alternativa que afirma aumento da atividade plasmática de renina está incorreta.

Contexto Educacional

A hipertensão secundária é aquela em que uma causa subjacente específica pode ser identificada e, em muitos casos, tratada. Embora represente uma minoria dos casos de hipertensão (cerca de 5-10%), seu reconhecimento é crucial, pois pode levar à cura ou a um controle pressórico significativamente melhor. As causas são diversas e incluem doenças renais (estenose de artéria renal, doença renal parenquimatosa), endócrinas (hiperaldosteronismo primário, feocromocitoma, síndrome de Cushing, hipertireoidismo), cardiovasculares (coarctação da aorta) e outras (apneia obstrutiva do sono). A suspeita de hipertensão secundária deve surgir em pacientes com hipertensão resistente, início em idades extremas (antes dos 20 ou depois dos 50 anos), hipertensão grave ou de início súbito, ou com achados clínicos e laboratoriais sugestivos. O hiperaldosteronismo primário é uma das causas mais comuns de hipertensão secundária, caracterizado por produção autônoma de aldosterona, que leva à retenção de sódio, expansão de volume e supressão da atividade plasmática de renina (APR). A hipocalemia é um achado comum, mas não universal. Para o diagnóstico do hiperaldosteronismo primário, a relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (RAA/APR) é o teste de triagem. Uma RAA elevada com APR suprimida é altamente sugestiva. É fundamental que residentes compreendam as características fisiopatológicas e os perfis laboratoriais de cada causa de hipertensão secundária para um diagnóstico e manejo eficazes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indícios para investigar hipertensão secundária?

A hipertensão secundária deve ser investigada em casos de hipertensão resistente, início precoce (<20 anos) ou tardio (>50 anos), hipertensão grave ou abrupta, presença de sopros abdominais, hipocalemia inexplicada, ou sinais de doença renal/endócrina.

Como diferenciar o hiperaldosteronismo primário da hipertensão renovascular pelos exames laboratoriais?

No hiperaldosteronismo primário, a aldosterona está elevada e a atividade plasmática de renina (APR) está suprimida. Na hipertensão renovascular, tanto a aldosterona quanto a APR estão elevadas, pois a estenose ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Quais são as causas mais comuns de estenose de artéria renal?

As causas mais comuns são a aterosclerose (em pacientes mais velhos com fatores de risco cardiovascular) e a displasia fibromuscular (em mulheres jovens, sem fatores de risco ateroscleróticos).

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