SMS Goiânia - Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (GO) — Prova 2020
Mariana acompanha o ambulatório de cardiologia e hoje recebe 4 pacientes, que receberão sua primeira avaliação com especialistas, após diagnóstico recente de hipertensão.Paciente 1 - homem, 49 anos, relatos de valores elevados de PA há cerca de 10 anos, sem tratamento ou seguimento; exames alterados: presença de microalbuminúria.Paciente 2 - mulher, 32 anos, antecedente de nódulo de adrenal em seguimento conservador; exames alterados: hipercalemia.Paciente 3 - homem, 35 anos, apresenta episódios de cefaleia, sudorese, palpitação, associados a picos hipertensivos. Paciente 4 - homem, 55 anos, apresenta ao exame físico presença de sopro abdominal. Baseado nos dados acima, assinale alternativa que indica o paciente que Mariana deveria suspeitar de HAS secundária e a etiologia mais provável:
HAS secundária: Feocromocitoma = cefaleia, sudorese, palpitação + picos hipertensivos.
A suspeita de hipertensão secundária é crucial em pacientes com características atípicas. O paciente 3 apresenta a tríade clássica de cefaleia, sudorese e palpitações, associada a picos hipertensivos, que é altamente sugestiva de feocromocitoma, um tumor da medula adrenal que secreta catecolaminas.
A hipertensão arterial secundária, embora menos comum que a primária (essencial), é crucial de ser identificada, pois muitas de suas causas são potencialmente curáveis ou têm tratamentos específicos que diferem da HAS essencial. Residentes devem estar atentos a 'bandeiras vermelhas' que indicam a necessidade de investigar uma causa secundária, como hipertensão de início precoce ou tardio, HAS resistente ao tratamento, ou a presença de sintomas e sinais atípicos. No caso apresentado, o Paciente 3, com 35 anos, apresentando cefaleia, sudorese e palpitações associadas a picos hipertensivos, exibe a tríade clássica do feocromocitoma. Este é um tumor raro, geralmente benigno, da medula adrenal que secreta catecolaminas, resultando em hipertensão paroxística ou sustentada. O diagnóstico precoce é vital, pois o tratamento cirúrgico pode ser curativo. Outras causas importantes de HAS secundária incluem o hiperaldosteronismo primário (suspeitar em hipertensão com hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos e nódulo adrenal), estenose da artéria renal (sopro abdominal, HAS resistente, assimetria renal) e doenças renais parenquimatosas (microalbuminúria, elevação de creatinina). A capacidade de correlacionar os achados clínicos com as etiologias mais prováveis é uma habilidade diagnóstica essencial para a prática médica e para as provas de residência.
O feocromocitoma é classicamente suspeitado pela tríade de cefaleia, sudorese e palpitações, frequentemente associada a picos hipertensivos paroxísticos. Outros sintomas incluem ansiedade, palidez e dor torácica ou abdominal. A hipertensão pode ser sustentada ou episódica.
A investigação de hipertensão secundária é indicada em pacientes jovens (<30 anos) com HAS, hipertensão de início súbito ou de difícil controle (resistente), HAS grave, presença de lesão de órgão-alvo desproporcional, ou sintomas e sinais sugestivos de causas específicas, como os descritos nos pacientes do caso.
Causas renais, como estenose de artéria renal, podem apresentar sopro abdominal, assimetria renal ou piora da função renal com IECAs. Causas adrenais incluem hiperaldosteronismo primário (hipertensão + hipocalemia + supressão de renina) e feocromocitoma (tríade clássica + elevação de metanefrinas). O contexto clínico e exames específicos guiam o diagnóstico.
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