HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021
Mulher, 35 anos, consulta em pronto-atendimento referindo dispneia de forte intensidade. Ao exame físico, PA 240/160 mmHg, em ambos os membros superiores. Ausculta pulmonar com estertores bolhosos difusos. Familiar relata que este é o terceiro episódio de dispneia grave nos últimos meses; nas ocasiões anteriores, a paciente foi medicada com anti-hipertensivo e liberada para casa. O quadro acima é compatível com hipertensão _______________, ocasionado por _______________- _______________ contraindicação absoluta ao uso de inibidores da enzima conversora da angiotensina ou aos bloqueadores dos receptores da angiotensina. As informações que completam corretamente as lacunas, na ordem em que se encontram, estão contidas na alternativa:
Hipertensão grave em jovem + edema agudo de pulmão recorrente → suspeitar de doença renovascular. IECA/BRA NÃO são contraindicados.
Hipertensão grave e recorrente em paciente jovem, especialmente com episódios de edema agudo de pulmão, sugere fortemente uma causa secundária, como a doença renovascular. Embora IECA/BRA possam piorar a função renal em estenose bilateral de artéria renal, não há contraindicação absoluta ao seu uso em estenose unilateral, e são frequentemente usados para controle pressórico.
A hipertensão arterial é uma condição comum, mas quando se apresenta de forma grave em pacientes jovens, com episódios recorrentes de crises hipertensivas e edema agudo de pulmão, deve-se sempre suspeitar de uma causa secundária. A doença renovascular, caracterizada pela estenose da artéria renal, é uma das etiologias mais importantes de hipertensão secundária e refratária, sendo fundamental para o residente reconhecer seus sinais. A fisiopatologia da hipertensão renovascular envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona devido à hipoperfusão renal, resultando em vasoconstrição e retenção de sódio e água, elevando a pressão arterial. A apresentação clínica pode incluir hipertensão de difícil controle, assimetria no tamanho renal e, em casos graves, episódios de edema agudo de pulmão devido à sobrecarga volêmica e disfunção ventricular esquerda. O tratamento da hipertensão renovascular visa controlar a pressão arterial e, se possível, corrigir a estenose. Embora os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) sejam eficazes no controle pressórico, eles devem ser usados com cautela em pacientes com estenose bilateral de artéria renal ou estenose em rim único, devido ao risco de piora da função renal. No entanto, não há uma contraindicação absoluta ao seu uso em todos os casos de doença renovascular, especialmente em estenose unilateral, onde podem ser benéficos.
Sinais de alerta incluem hipertensão grave em idade jovem (<30 anos), hipertensão refratária a múltiplos medicamentos, início súbito ou piora rápida da hipertensão, e presença de sopro abdominal ou hipocalemia.
Na doença renovascular, a estenose da artéria renal ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a hipertensão grave e sobrecarga volêmica. Essa sobrecarga, combinada com a alta pressão arterial, pode precipitar o edema agudo de pulmão.
IECA e BRA são relativamente contraindicados em estenose bilateral de artéria renal ou estenose em rim único, pois podem causar insuficiência renal aguda ao reduzir a filtração glomerular. Em estenose unilateral, podem ser usados com monitoramento rigoroso da função renal.
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