Hipertensão Resistente em Jovens: Investigação de Causas Secundárias

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Você trabalha como médico em uma unidade de saúde da família e atende um paciente caucasiano de 35 anos, previamente hígido, e que vem sofrendo episódios semanais de cefaleia occipital associados a níveis pressóricos elevados (PAS entre 160 e 180 mmHg, PAD entre 100 e 120 mmHg) nos últimos 3 meses. Vem em uso de losartana 50 mg 1x ao dia regularmente há 1 mês, tendo obtido discreta redução dos níveis pressóricos. No exame físico, você identifica paciente em bom estado geral, com índice de massa corporal = 25, FC = 72bpm, PA = 182 x 122 mmHg, sem outras alterações. O paciente lhe traz os seguintes exames laboratoriais, colhidos na mesma semana da consulta. Resultados laboratoriais do paciente. Assinale entre as alternativas abaixo aquela que indica a melhor conduta para esse paciente.

Alternativas

  1. A) Troca da losartana por amlodipina 1 O mg/dia e solicitação de ultrassom doppler de artérias renais.
  2. B) Aumento da losartana para 100 mg/dia, associação de hidroclortiazida 25 mg/dia e solicitação de curva pressórica.
  3. C) Aumento da losartana para 100 mg/dia, solicitação de eletrocardiograma e ecocardiograma.
  4. D) Troca da losartana por amlodipina 1 O mg/dia, solicitação de aldosterona e atividade de renina plasmáticas.

Pérola Clínica

HAS grave em jovem, resistente à monoterapia → investigar causas secundárias, como hiperaldosteronismo primário (renina/aldosterona).

Resumo-Chave

Hipertensão de início precoce, grave e resistente à monoterapia em um paciente previamente hígido, como neste caso, deve levantar a suspeita de hipertensão secundária. A investigação de hiperaldosteronismo primário com a relação aldosterona/renina plasmática é uma conduta prioritária.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica comum, mas em pacientes jovens, previamente hígidos, com HAS grave e resistente à monoterapia, a suspeita de hipertensão secundária é mandatória. Ignorar essa possibilidade pode levar a um tratamento inadequado e a desfechos desfavoráveis. O hiperaldosteronismo primário é uma das causas mais prevalentes de HAS secundária e deve ser ativamente investigado. O paciente descrito, com 35 anos, HAS grave e refratária à losartana, apresenta um quadro que exige uma investigação aprofundada. A cefaleia occipital associada a níveis pressóricos elevados é um sintoma inespecífico, mas que reforça a necessidade de controle da pressão. A conduta inicial deve incluir a otimização da terapia anti-hipertensiva, como a troca ou associação de classes de medicamentos, mas, crucialmente, a investigação etiológica. A solicitação da relação aldosterona/renina plasmática é o passo diagnóstico chave para o hiperaldosteronismo primário. A amlodipina, um bloqueador dos canais de cálcio, é uma excelente opção para otimizar o controle pressórico enquanto se aguardam os resultados da investigação. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de alerta para HAS secundária e a iniciar a propedêutica diagnóstica adequada, visando um tratamento específico e potencialmente curativo.

Perguntas Frequentes

Quando se deve suspeitar de hipertensão secundária em um paciente?

Deve-se suspeitar de hipertensão secundária em pacientes jovens (<30 anos) com HAS grave, HAS resistente ao tratamento (não controlada com 3 drogas, incluindo um diurético), início súbito ou agravamento da HAS, ou presença de sintomas/sinais sugestivos de causas específicas (ex: hipocalemia, sopro abdominal).

Qual a importância da relação aldosterona/renina plasmática na investigação?

A relação aldosterona/renina plasmática (ARP) é o teste de triagem inicial para hiperaldosteronismo primário, uma causa comum de hipertensão secundária. Uma ARP elevada, juntamente com níveis de aldosterona elevados, sugere o diagnóstico, que pode ser confirmado por testes de supressão.

Quais são as principais causas de hipertensão secundária?

As principais causas incluem doenças renais parenquimatosas, doença renovascular, hiperaldosteronismo primário, feocromocitoma, síndrome de Cushing, apneia obstrutiva do sono, hipotireoidismo/hipertireoidismo e coarctação da aorta.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo