USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Homem de 33 anos procurou a unidade básica de saúde pois aferiu pressão arterial em rastreamento oportunístico que resultou em 156x98 mmHg. Nega sintomas ou antecedentes mórbidos relevantes. O diagnóstico de hipertensão foi confirmado após duas consultas agendadas no prazo de 15 dias, sendo 156x96 mmHg a média das medidas de pressão arterial. Desde então, mostrou-se motivado a iniciar prática de atividade física (150 minutos/semana) e redução do sal alimentar. Prefere não usar medicamentos. Ao discutir o plano de cuidados, além das metas para um estilo de vida saudável, foram combinados encontros mensais pelos próximos três meses para acompanhamento.No primeiro desses encontros, o paciente relatou ter cumprido as metas estabelecidas.Apresentou frequência cardíaca 84 bpm, pressão arterial 154x94 mmHg, índice de massa corpórea 26 kg/m² e restante do exame clínico normal (incluindo fundoscopia). Resultados dos exames solicitados: Creatinina: 0,9 mg/dL; Na⁺ 142 mEq/L; K⁺ 2,9 mEq/L; HDL 50 mg/dL; LDL 124 mg/dL; Triglicérides 110 mg/dL; Glicemia de jejum 92 mg/dL; eletrocardiograma e urina tipo I normais.No segundo encontro, permaneceu aderente às metas de estilo de vida e perdeu 2 kg. Frequência cardíaca 80 bpm, pressão arterial 150 x 92 mmHg, índice de massa corpórea 25,3 kg/m² e restante do exame clínico normal. O novo exame de potássio sérico confirmou o valor de 2,9 mEq/L. Além da reposição de potássio, qual alternativa representa a conduta clínica a ser adotada até o próximo encontro?
Hipertensão estágio 2 em jovem + hipocalemia persistente → investigar hipertensão secundária (ex: aldosteronismo primário).
Em um paciente jovem com hipertensão estágio 2 e hipocalemia persistente, mesmo após modificações de estilo de vida, a suspeita de hipertensão secundária é alta. A investigação etiológica é prioritária antes de iniciar o tratamento farmacológico empírico.
A hipertensão arterial é uma condição crônica comum, mas em pacientes jovens, especialmente aqueles com achados incomuns como hipocalemia persistente, a suspeita de hipertensão secundária deve ser alta. A prevalência de hipertensão secundária é maior em jovens e em casos de hipertensão resistente. A identificação precoce e o tratamento da causa subjacente podem levar à cura ou a um melhor controle da pressão arterial, prevenindo complicações cardiovasculares a longo prazo. No caso apresentado, um homem de 33 anos com hipertensão estágio 2 e hipocalemia persistente (K⁺ 2,9 mEq/L) é um forte indicativo de aldosteronismo primário, uma das causas mais comuns de hipertensão secundária. O aldosteronismo primário é caracterizado pela produção excessiva e autônoma de aldosterona, que leva à retenção de sódio, expansão de volume, supressão da renina e perda de potássio. Outras causas de hipertensão secundária a serem consideradas incluem estenose da artéria renal, doença renal parenquimatosa, síndrome de Cushing e feocromocitoma. A conduta clínica deve priorizar a investigação da causa da hipocalemia e da hipertensão secundária. Isso geralmente envolve a dosagem de aldosterona plasmática e atividade da renina plasmática, além de outros exames conforme a suspeita clínica. Manter as modificações de estilo de vida é sempre benéfico, mas a resolução da hipertensão e da hipocalemia depende do tratamento da etiologia secundária. Iniciar o tratamento farmacológico sem essa investigação pode mascarar a causa e atrasar um tratamento definitivo.
Suspeite de hipertensão secundária em pacientes jovens (<30 anos), hipertensão de início súbito ou grave, hipertensão resistente ao tratamento, presença de sopros abdominais, hipocalemia inexplicada, ou sinais e sintomas de doenças endócrinas ou renais.
A causa mais comum de hipertensão secundária com hipocalemia é o aldosteronismo primário. Outras causas incluem síndrome de Cushing, estenose da artéria renal (menos comum com hipocalemia, mas pode ocorrer), e uso de diuréticos.
A conduta inicial inclui a dosagem de renina plasmática e aldosterona para rastreamento de aldosteronismo primário. Outros exames podem incluir eletrólitos, função renal, urinálise, metanefrinas plasmáticas ou urinárias (para feocromocitoma) e exames de imagem renal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo