HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021
Uma paciente de 37 anos vai à consulta com cardiologia no Ambulatório Médico de Especialidades (AME), após ser encaminhada pelo médico generalista. Fazia acompanhamento por hipertensão arterial, diagnosticada há um ano. Usava hidroclorotiazida e captopril, ambos em doses adequadas, desde o diagnóstico, mas mantinha níveis elevados de PA. Ela traz um MAPA, que confirma a hipertensão arterial, com média de 162 x 114mmHg, mesmo medicada, com queda da PA à noite. Ela tem IMC 24,9Kg/m2, é negra e seus pais são normotensos. Ao exame físico apresentava sopro sistólico mitral 1+/6+, e cruzamentos arteriovenosos patológicos na fundoscopia. Os exames laboratoriais mostram K = 2,9mEq/L, Na = 148mEq/L, colesterol total = 250mg/dL, ureia = 35mg/dL e creatinina = 0,9mg/dL. Assinale a alternativa que contém indícios de hipertensão secundária:
Hipertensão resistente + hipopotassemia → Investigar causas secundárias, como hiperaldosteronismo primário.
A presença de hipertensão arterial resistente ao tratamento com dois ou mais anti-hipertensivos, especialmente em pacientes jovens ou com hipopotassemia espontânea ou induzida por diuréticos, deve levantar a suspeita de hipertensão secundária. O hiperaldosteronismo primário é uma causa comum e tratável.
A hipertensão arterial secundária é uma condição em que a elevação da pressão arterial é causada por uma doença subjacente identificável, ao contrário da hipertensão essencial. Embora represente uma minoria dos casos de hipertensão (5-10%), sua identificação é crucial, pois muitas vezes é curável ou controlável com tratamento específico da causa. É mais comum em pacientes jovens, idosos, ou naqueles com hipertensão resistente ou de início súbito e grave. A suspeita de hipertensão secundária deve ser levantada em casos de hipertensão resistente (PA elevada apesar de três fármacos, incluindo um diurético), hipopotassemia espontânea ou induzida por diuréticos, início precoce da hipertensão (<30 anos), ausência de história familiar, ou presença de sinais e sintomas sugestivos de doenças específicas, como doença renal, estenose de artéria renal ou hiperaldosteronismo primário. O diagnóstico envolve exames laboratoriais e de imagem direcionados à causa suspeita. O tratamento da hipertensão secundária foca na correção da doença subjacente. Por exemplo, o hiperaldosteronismo primário pode ser tratado cirurgicamente (adenoma) ou com antagonistas do receptor de mineralocorticoide (hiperplasia). A identificação e tratamento adequados podem normalizar a pressão arterial ou facilitar seu controle, prevenindo complicações cardiovasculares e renais a longo prazo.
Sinais de alerta incluem hipertensão resistente a múltiplos fármacos, idade jovem ao diagnóstico, hipopotassemia, sopros abdominais, e ausência de história familiar de hipertensão.
A hipopotassemia, especialmente na presença de hipertensão, sugere hiperaldosteronismo primário, onde o excesso de aldosterona leva à retenção de sódio, perda de potássio e aumento da pressão arterial.
A conduta inicial envolve a revisão da história clínica e medicamentosa, exames laboratoriais como eletrólitos, função renal, e, dependendo da suspeita, testes específicos como relação aldosterona/renina para hiperaldosteronismo.
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