Hipertensão Resistente e Asma: Escolha do Anti-hipertensivo

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 59 anos de idade era acometido por asma desde a infância e relatou que apresentava hipertensão há 16 anos. Na última prescrição, constavam os medicamentos anti‑hipertensivos de uso contínuo: hidroclorotiazida 25 mg uma vez por dia; losartana 50 mg duas vezes por dia; e anlodipina 10 mg por dia. A pressão arterial aferida por automonitoramento nos últimos três meses apresentava inúmeros valores acima de 160 x 100 mmHg e, durante a consulta, a pressão arterial aferida foi de 165 x 95 mmHg. Após orientar a intensificação na mudança do estilo de vida e certificar‑se de que as medicações prescritas estavam sendo utilizadas adequadamente. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta indicada para o manejo da hipertensão.

Alternativas

  1. A) acrescentar espironolactona 25 mg uma vez por dia
  2. B) acrescentar captopril 25 mg duas vezes por dia
  3. C) acrescentar furosemida 40 mg uma vez por dia
  4. D) acrescentar propranolol 40 mg duas vezes por dia
  5. E) acrescentar metildopa 250 mg três vezes por dia

Pérola Clínica

Hipertensão resistente com asma → adicionar espironolactona é a melhor opção, evitando betabloqueadores.

Resumo-Chave

O paciente apresenta hipertensão resistente (PA > 140/90 mmHg em uso de 3 anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético). A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é a quarta droga de escolha para hipertensão resistente e é segura em pacientes com asma, ao contrário dos betabloqueadores não seletivos.

Contexto Educacional

A hipertensão resistente é definida como a incapacidade de atingir a pressão arterial alvo (geralmente < 140/90 mmHg) com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. É uma condição que exige investigação de causas secundárias e otimização terapêutica. A presença de comorbidades como a asma torna a escolha dos medicamentos mais desafiadora, exigindo atenção às contraindicações e efeitos adversos. No caso apresentado, o paciente já utiliza hidroclorotiazida (diurético tiazídico), losartana (bloqueador do receptor de angiotensina II) e anlodipina (bloqueador do canal de cálcio), mas sua pressão arterial permanece elevada. A fisiopatologia da hipertensão resistente pode envolver hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona, retenção de sódio e volume, e disfunção endotelial. A conduta indicada para o manejo da hipertensão resistente, após a otimização das doses e a exclusão de causas secundárias, é a adição de um quarto medicamento. A espironolactona, um antagonista da aldosterona, é a droga de escolha nessa situação, demonstrando eficácia superior a outros agentes. É particularmente vantajosa em pacientes com asma, pois não tem os riscos de broncoespasmo associados aos betabloqueadores. Outras opções incluem alfa-bloqueadores ou betabloqueadores cardioseletivos com cautela, mas a espironolactona é geralmente preferida como quarta linha.

Perguntas Frequentes

Quando a hipertensão é considerada resistente?

A hipertensão é considerada resistente quando a pressão arterial permanece acima da meta (geralmente > 140/90 mmHg) apesar do uso de três classes diferentes de anti-hipertensivos em doses máximas toleradas, incluindo um diurético.

Por que a espironolactona é uma boa opção para hipertensão resistente?

A espironolactona é um diurético poupador de potássio e antagonista da aldosterona, eficaz na redução da pressão arterial em pacientes com hipertensão resistente, especialmente aqueles com hiperaldosteronismo primário ou secundário.

Quais anti-hipertensivos devem ser evitados em pacientes com asma?

Betabloqueadores não seletivos (como propranolol) devem ser evitados em pacientes com asma, pois podem causar broncoespasmo. Betabloqueadores cardioseletivos podem ser usados com cautela, mas a preferência é por outras classes.

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