Hipertensão Resistente: Diagnóstico e Investigação

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 56 anos com HAS há 20 anos sem outras comorbidades. Inicialmente obteve bom controle pressórico, entretanto, há 5 anos passou a ter elevação da pressão arterial sempre > 140/90 mmHg, em medidas residenciais com aparelho automático bem calibrado. Em uso regular e correto de hidroclorotiazida 25 mg/dia, enalapril 40 mg/dia, amlodipina 10 mg/dia e atenolol 100 mg/dia. Trata-se de hipertensão

Alternativas

  1. A) resistente devido à hipertensão essencial, sem necessidade de investigação de causas secundárias.
  2. B) resistente, com necessidade de ampliar investigação para causas secundárias.
  3. C) refratária devido à hipertensão essencial, sem necessidade de investigação de causas secundárias.
  4. D) refratária, e a causa mais provável é hipertensão renovascular.

Pérola Clínica

HAS > 140/90 mmHg com 3+ anti-hipertensivos (incluindo diurético) em doses máximas → Hipertensão Resistente = Investigar causas secundárias.

Resumo-Chave

A hipertensão resistente é definida pela falha em atingir a meta pressórica com três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. Nesses casos, a investigação de causas secundárias é fundamental, pois muitas delas são tratáveis.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial resistente é um desafio clínico significativo, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos. É definida pela incapacidade de atingir a meta pressórica (<140/90 mmHg ou <130/80 mmHg em alto risco) com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas e comprovada adesão. Sua identificação é crucial para evitar complicações cardiovasculares e renais. O diagnóstico de hipertensão resistente requer a exclusão de pseudo-resistência (má adesão, técnica de medida incorreta, efeito do jaleco branco) e a investigação ativa de causas secundárias. A fisiopatologia pode envolver hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona, retenção de sódio, disfunção endotelial e hiperatividade simpática. A suspeita deve surgir em pacientes com HAS de início súbito, grave, ou com piora progressiva do controle. A abordagem terapêutica da hipertensão resistente envolve otimização do estilo de vida, revisão da terapia anti-hipertensiva (considerando espironolactona como 4º fármaco) e tratamento das causas secundárias identificadas. O prognóstico melhora significativamente com o diagnóstico e manejo adequados, reduzindo o risco de eventos cardiovasculares e renais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir hipertensão resistente?

Hipertensão resistente é definida pela pressão arterial acima da meta (geralmente > 140/90 mmHg) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses máximas toleradas e comprovada adesão.

Por que é importante investigar causas secundárias na hipertensão resistente?

A investigação é crucial porque muitas causas secundárias de hipertensão são tratáveis ou curáveis, como aldosteronismo primário, doença renovascular ou feocromocitoma, e seu manejo específico pode normalizar a pressão arterial.

Quais são as principais causas secundárias de hipertensão a serem investigadas?

As principais causas incluem aldosteronismo primário, doença renovascular, apneia obstrutiva do sono, feocromocitoma, síndrome de Cushing, doença renal parenquimatosa e uso de substâncias que elevam a pressão.

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