Hipertensão Resistente: Diagnóstico e Manejo com Espironolactona

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 58 anos, hipertensa há 10 anos, com dificuldade de controle pressórico. Está em uso de Losartana 100mg/dia, Anlodipino 10mg/dia, Hidroclorotiazida 25mg/dia, Carvedilol 25mg 2 vezes ao dia e Hidralazina 50mg 8/8h. Refere adesão ao tratamento. Vem para consulta de rotina, trazendo o resultado da MAPA: Média PA 24h = 135/85 mmHg. Qual a alternativa correta?

Alternativas

  1. A) Trata-se de hipertensão refratária controlada.
  2. B) Trata-se de hipertensão refratária e a conduta é associar espironolactona 25mg/dia.
  3. C) Trata-se de hipertensão resistente controlada e a conduta é manter o esquema terapêutica.
  4. D) Trata-se de hipertensão resistente e a conduta neste momento é associar espironolactona 50mg/dia.

Pérola Clínica

Hipertensão resistente (PA > 135/85 mmHg na MAPA com ≥3 drogas, incluindo diurético) → associar Espironolactona.

Resumo-Chave

Hipertensão resistente é definida pela falha em atingir a meta pressórica com três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas. A Espironolactona é a droga de escolha para adicionar nesses casos, especialmente se houver suspeita de hiperaldosteronismo.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial é uma condição crônica de alta prevalência e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. A hipertensão resistente representa um desafio clínico, afetando cerca de 10-20% dos pacientes hipertensos, e está associada a um maior risco de eventos cardiovasculares e renais. O diagnóstico de hipertensão resistente requer a exclusão de pseudo-resistência (má adesão, técnica inadequada de medida, efeito do jaleco branco) e hipertensão secundária. A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é crucial para confirmar o diagnóstico e excluir a hipertensão do jaleco branco. A fisiopatologia envolve múltiplos mecanismos, incluindo hiperatividade simpática, retenção de sódio e água, e hiperaldosteronismo. O manejo da hipertensão resistente envolve otimização do estilo de vida, revisão do esquema terapêutico e adição de um quarto fármaco. A Espironolactona, um antagonista do receptor mineralocorticoide, é a primeira escolha para a maioria dos pacientes com hipertensão resistente, devido à sua eficácia comprovada e ao papel do hiperaldosteronismo na patogênese. A dose inicial recomendada é de 25-50mg/dia.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de hipertensão resistente?

Hipertensão resistente é definida pela pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente >140/90 mmHg no consultório ou >135/85 mmHg na MAPA) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses máximas toleradas.

Por que a Espironolactona é a droga de escolha na hipertensão resistente?

A Espironolactona, um antagonista da aldosterona, é eficaz na hipertensão resistente porque muitos desses pacientes apresentam hiperaldosteronismo primário ou secundário, contribuindo para a resistência ao tratamento e retenção de sódio.

Qual a diferença entre hipertensão resistente e refratária?

Hipertensão resistente é a que não atinge o controle com 3 drogas (incluindo diurético). Hipertensão refratária é um subgrupo da resistente, onde o controle não é atingido mesmo com 5 ou mais drogas de classes diferentes, em doses máximas toleradas.

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