HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Em paciente com estenose unilateral hemodinamicamente significativa de artéria renal com hipertensão renovascular, além do quadro de Hipertensão Arterial Sistêmica secundária espera-se observar:
Estenose artéria renal → ↑Renina → ↑Aldo → Hipocalemia + Alcalose + HAS.
A estenose de artéria renal ativa o SRAA; a aldosterona promove excreção de K+ e H+ nos túbulos coletores, resultando em hipocalemia e alcalose metabólica, geralmente com função renal preservada se unilateral.
A hipertensão renovascular é a causa mais comum de hipertensão arterial secundária curável ou controlável. Sua fisiopatologia baseia-se no modelo de Goldblatt de 'um rim, um clipe' (quando unilateral). O rim hipoperfundido ativa intensamente o sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) para tentar manter a pressão de perfusão glomerular através da vasoconstrição da arteríola eferente mediada pela Angiotensina II. O estado de hiperaldosteronismo secundário resultante promove a tríade clássica: hipertensão, hipocalemia e alcalose metabólica. É fundamental distinguir a estenose aterosclerótica (mais comum em idosos) da displasia fibromuscular (comum em mulheres jovens), pois o manejo e o prognóstico diferem significativamente entre as duas entidades.
A redução do fluxo sanguíneo para o rim estenosado é percebida pelo aparelho justaglomerular como hipovolemia, disparando a secreção de renina. A renina converte o angiotensinogênio em angiotensina I, que vira angiotensina II pela ECA. A angiotensina II estimula a zona glomerulosa da adrenal a secretar aldosterona. A aldosterona atua nos ductos coletores aumentando a reabsorção de sódio e a secreção de potássio e hidrogênio, levando à hipocalemia.
Na estenose unilateral de artéria renal, o rim contralateral não afetado é exposto a níveis elevados de angiotensina II e à própria hipertensão arterial sistêmica. Esse rim 'saudável' aumenta sua taxa de filtração glomerular e a excreção de solutos para compensar a perda funcional do rim estenosado. Portanto, a creatinina sérica costuma permanecer dentro da normalidade, a menos que haja doença renal parenquimatosa prévia ou estenose bilateral.
No aldosteronismo primário (ex: Síndrome de Conn), a secreção de aldosterona é autônoma e a renina está suprimida (feedback negativo). Na hipertensão renovascular (aldosteronismo secundário), a causa é o excesso de renina devido à hipoperfusão renal, resultando em níveis elevados tanto de renina quanto de aldosterona. Ambos podem causar hipocalemia e alcalose, mas a relação renina/aldosterona ajuda no diagnóstico diferencial.
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