Hipertensão Renovascular: Diagnóstico em Pacientes Jovens

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 26 anos de idade, em acompanhamento ambulatorial por hipertensão arterial sistêmica. Nega antecedentes familiares e uso de álcool. Queixa-se de dor abdominal em flancos. Nega cefaleia, sudorese e palpitações. Nega alterações no ciclo menstrual. Atualmente em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia, anlodipino 10 mg/dia, atenolol 100 mg/dia e hidralazina 50mg três vezes ao dia. Ao exame clínico, apresenta pressão arterial = 154 x 90 mmHg, frequência cardíaca = 68 bpm, Peso = 64kg, Altura = 165cm, ausculta cardiopulmonar sem alterações. Presença de sopro abdominal em flancos, sem outras alterações. Qual é a conduta diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Biópsia renal percutânea
  2. B) Polissonografia noturna
  3. C) Dosagem de metanefrinas urinárias
  4. D) Ultrassonografia de artérias renais

Pérola Clínica

HAS refratária em jovem + sopro abdominal em flancos → Investigar estenose de artéria renal (displasia fibromuscular).

Resumo-Chave

Em pacientes jovens com hipertensão arterial sistêmica refratária a múltiplos medicamentos e que apresentam sopro abdominal em flancos, a principal suspeita diagnóstica é hipertensão renovascular, frequentemente causada por displasia fibromuscular. A ultrassonografia com Doppler das artérias renais é o exame de triagem inicial para essa condição.

Contexto Educacional

A hipertensão renovascular é uma causa secundária de hipertensão arterial sistêmica, caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo renal devido à estenose de uma ou ambas as artérias renais. É uma condição importante a ser considerada, especialmente em pacientes jovens, com HAS refratária ou com sopro abdominal, pois é potencialmente curável. A fisiopatologia envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona devido à isquemia renal, levando ao aumento da pressão arterial. As causas mais comuns são a aterosclerose (em idosos) e a displasia fibromuscular (em mulheres jovens). O diagnóstico começa com a suspeita clínica, baseada nos sinais de alerta, e é confirmado por exames de imagem como a ultrassonografia Doppler de artérias renais, angiotomografia ou angioressonância. O tratamento pode envolver angioplastia com ou sem stent para restaurar o fluxo sanguíneo renal, além do controle farmacológico da pressão arterial. A identificação e o tratamento precoces são cruciais para prevenir danos a órgãos-alvo e melhorar o prognóstico. Residentes devem estar atentos aos sinais de HAS secundária para uma abordagem diagnóstica e terapêutica eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para hipertensão renovascular?

Hipertensão de início súbito ou em idade jovem (<30 anos), HAS refratária a múltiplos medicamentos, sopro abdominal em flancos, piora da função renal com IECA/BRA, ou assimetria renal.

Por que a ultrassonografia Doppler é o primeiro exame para estenose de artéria renal?

É um método não invasivo, amplamente disponível e sem radiação ou contraste nefrotóxico, que permite avaliar o fluxo e a morfologia das artérias renais, identificando estenoses significativas.

Como diferenciar displasia fibromuscular de aterosclerose na estenose de artéria renal?

A displasia fibromuscular afeta tipicamente mulheres jovens, sem fatores de risco ateroscleróticos, e angiograficamente apresenta aspecto de "colar de contas". A aterosclerose é mais comum em idosos, com fatores de risco cardiovasculares, e a estenose é geralmente ostial ou proximal.

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