Estenose de Artéria Renal: Diagnóstico na HAS Refratária

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 60a, retorna à Unidade Básica de Saúde para controle de hipertensão arterial e resultados de exames. Refere piora dos níveis pressóricos nos últimos meses. Antecedentes: hipertensão arterial e tabagismo, em uso crônico e regular de anlodipina 10mg/dia e furosemida 40mg/dia. Há um mês, em consulta de rotina, apresentava PA=172x98mmHg, quando foi associado enalapril 10 mg/dia. Hoje, PA=152x88mmHg. A creatinina aumentou de 1,2 mg/dL (dosada há 15 dias) para 2,2 mg/dL. O EXAME NECESSÁRIO PARA CONFIRMAR A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

HAS refratária + ↑ Creatinina após IECA/BRA → Suspeitar estenose de artéria renal. Exame: Angiotomografia/Angioressonância renal.

Resumo-Chave

A piora da hipertensão, associada ao aumento significativo da creatinina após a introdução de um IECA (enalapril), em um paciente idoso e tabagista, é altamente sugestiva de hipertensão renovascular devido à estenose de artéria renal. Nesses casos, a investigação com exames de imagem das artérias renais é fundamental para confirmar o diagnóstico.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição prevalente, mas em alguns casos, pode ser secundária a uma causa subjacente, como a estenose de artéria renal. A hipertensão renovascular é uma causa importante de HAS secundária e deve ser suspeitada em pacientes com hipertensão refratária ao tratamento, início súbito de HAS grave, ou, como no caso apresentado, piora da função renal (aumento da creatinina) após a introdução de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA). A fisiopatologia da estenose de artéria renal envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) devido à hipoperfusão renal. Em pacientes com estenose significativa, a filtração glomerular é mantida pela vasoconstrição da arteríola eferente mediada pela angiotensina II. Quando um IECA ou BRA é administrado, essa vasoconstrição é bloqueada, levando a uma queda na pressão de filtração e, consequentemente, a um aumento da creatinina sérica. Este é um sinal clássico de alerta. O diagnóstico definitivo da estenose de artéria renal é feito por exames de imagem que visualizam as artérias renais. A angiotomografia renal e a angioressonância renal são os métodos de escolha, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para detectar a estenose. O ultrassom Doppler renal pode ser usado como triagem, mas é operador-dependente. Residentes devem estar atentos a esses sinais de alerta para investigar e tratar adequadamente a hipertensão renovascular, que pode ser curável ou significativamente melhorada com intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para estenose de artéria renal em um paciente hipertenso?

Sinais de alerta incluem hipertensão de início súbito ou piora rápida, hipertensão refratária a múltiplos medicamentos, sopro abdominal, assimetria renal, edema pulmonar de repetição e, classicamente, piora da função renal (aumento da creatinina) após o início de inibidores da ECA ou BRAs.

Por que a creatinina aumenta após o uso de enalapril em casos de estenose de artéria renal?

Em pacientes com estenose de artéria renal bilateral ou em rim único, a perfusão renal depende da vasoconstrição da arteríola eferente, mediada pela angiotensina II. O enalapril (IECA) bloqueia a produção de angiotensina II, causando vasodilatação da arteríola eferente e uma queda abrupta da filtração glomerular, resultando em aumento da creatinina.

Qual o exame mais adequado para confirmar a estenose de artéria renal?

Os exames mais adequados para confirmar a estenose de artéria renal são a angiotomografia renal ou a angioressonância renal. O ultrassom Doppler de artérias renais também é uma opção inicial, mas pode ter limitações em termos de sensibilidade e especificidade, especialmente em pacientes obesos ou com gases intestinais.

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