USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher de 40 anos iniciou quadro de hipertensão arterial sistêmica há 6 meses. Desde então está em uso de três anti-hipertensivos sem controle pressórico adequado. Nega comorbidades prévias, nega histórico de doenças cardiovasculares na família. No momento possui função renal normal. Diante da investigação diagnóstica de hipertensão, assinale a alternativa correta:
Hipertensão resistente em jovem → Rastrear causa secundária (Doppler renal inicial).
A hipertensão renovascular é uma das principais causas de HAS secundária. O Doppler de artérias renais é o exame de triagem inicial por ser não invasivo e acessível.
A hipertensão arterial secundária deve ser investigada sempre que o perfil clínico foge do padrão da HAS essencial. No caso da hipertensão renovascular, a fisiopatologia envolve a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona devido à hipoperfusão renal. O diagnóstico precoce é fundamental, pois a correção da estenose pode levar à cura ou melhora significativa do controle pressórico. O manejo diagnóstico segue uma lógica de menor para maior invasividade. O Doppler avalia tanto a anatomia quanto a velocidade do fluxo sanguíneo (índices de resistência), fornecendo dados funcionais importantes. O conhecimento das indicações e limitações de cada método de imagem é competência essencial para o residente de clínica médica e cardiologia.
Deve-se suspeitar em casos de hipertensão de início súbito (antes dos 30 ou após os 55 anos), hipertensão resistente (não controlada com 3 drogas, sendo uma diurético), sopro abdominal, ou piora da função renal após uso de IECA/BRA. Em mulheres jovens, a displasia fibromuscular é a etiologia mais comum, enquanto em idosos predomina a aterosclerose. A triagem inicial visa identificar estenoses hemodinamicamente significativas que justifiquem a hipertensão.
Embora a arteriografia renal seja o padrão-ouro diagnóstico e permita a intervenção terapêutica imediata, ela é um procedimento invasivo com riscos de complicações vasculares e exposição a contraste iodado. O Doppler de artérias renais é um método não invasivo, sem radiação e de baixo custo, apresentando boa sensibilidade e especificidade quando realizado por examinadores experientes, sendo ideal para o rastreio inicial.
Em casos de alta suspeita clínica com Doppler inconclusivo ou tecnicamente difícil (ex: obesidade, gases intestinais), deve-se prosseguir a investigação com Angiotomografia (Angio-TC) ou Angioressonância (Angio-RM) de artérias renais. A escolha depende da função renal do paciente (evitar Angio-TC se ClCr < 30) e da disponibilidade do serviço. A arteriografia permanece como o passo final para confirmação e tratamento.
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