FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026
Um recém nascido a termo, com 4 horas de vida de idade, e avaliado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal por apresentar cianose central e taquipneia. A ausculta cardíaca revela um sopro sistólico em borda esternal esquerda. O ecocardiograma de urgência mostra um defeito de septo ventricular e um ventrículo direito com sobrecarga de volume e pressão, sem evidencia de hipoplasia ventricular esquerda. A gasometria arterial inicial demonstra hipoxemia refratária à oxigenoterapia. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico CORRETO para o paciente.
Recém-nascido cianótico + hipoxemia refratária + sobrecarga VD = Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (PPHN).
A Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (PPHN) é caracterizada por cianose central e hipoxemia refratária à oxigenoterapia, devido à manutenção de alta resistência vascular pulmonar e shunt direita-esquerda. O ecocardiograma revela sobrecarga de volume e pressão do ventrículo direito.
A Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (PPHN) é uma condição grave que afeta neonatos, caracterizada pela falha na transição da circulação fetal para a neonatal. Fisiologicamente, ao nascimento, a resistência vascular pulmonar (RVP) deve cair drasticamente, permitindo o aumento do fluxo sanguíneo pulmonar e a oxigenação. Na PPHN, a RVP permanece elevada, levando a um shunt direita-esquerda através de estruturas fetais persistentes como o forame oval patente (FOP) e/ou o ducto arterioso patente (DAP), resultando em hipoxemia sistêmica refratária à oxigenoterapia. A sobrecarga de pressão no ventrículo direito é uma consequência direta da alta RVP. O diagnóstico da PPHN é clínico e ecocardiográfico. Clinicamente, o recém-nascido apresenta cianose central, taquipneia e hipoxemia que não melhora significativamente com a administração de oxigênio suplementar. O ecocardiograma é essencial para confirmar a presença de hipertensão pulmonar (estimando a pressão na artéria pulmonar), avaliar a função e sobrecarga do ventrículo direito, e, crucialmente, excluir outras cardiopatias congênitas cianóticas estruturais que poderiam apresentar sintomas semelhantes. A presença de um defeito de septo ventricular, como descrito na questão, pode ser um local adicional para o shunt direita-esquerda se as pressões pulmonares forem suprasistêmicas. O manejo da PPHN é complexo e exige abordagem intensiva na UTI neonatal. Inclui otimização da ventilação mecânica para promover a vasodilatação pulmonar, uso de óxido nítrico inalatório (um potente vasodilatador pulmonar seletivo), manutenção da pressão arterial sistêmica para minimizar o shunt direita-esquerda e suporte hemodinâmico. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são fundamentais para melhorar o prognóstico e reduzir a morbimortalidade associada a esta condição.
Na PPHN, a resistência vascular pulmonar (RVP) permanece elevada após o nascimento, impedindo a queda normal da pressão pulmonar. Isso leva a um shunt direita-esquerda através do forame oval patente (FOP) e/ou ducto arterioso patente (DAP), desviando sangue não oxigenado da circulação pulmonar para a sistêmica. A hipoxemia é refratária porque o aumento da FiO2 não consegue superar o fluxo de sangue não oxigenado que bypassa os pulmões, resultando em baixas pressões parciais de oxigênio no sangue arterial sistêmico.
O ecocardiograma é crucial para o diagnóstico da PPHN, pois permite avaliar a pressão pulmonar estimada (através da velocidade do fluxo de regurgitação tricúspide), a função ventricular direita (sinais de sobrecarga de pressão e volume), e a presença e direção dos shunts (FOP, DAP, VSD). Mais importante, ele exclui cardiopatias congênitas cianóticas estruturais graves que poderiam mimetizar o quadro, como Transposição das Grandes Artérias ou Tetralogia de Fallot severa, confirmando que a hipoxemia é primariamente funcional.
O tratamento da PPHN visa reduzir a resistência vascular pulmonar e melhorar a oxigenação. Os pilares incluem suporte ventilatório otimizado (ventilação de alta frequência, óxido nítrico inalatório para vasodilatação pulmonar seletiva), manutenção da pressão arterial sistêmica (para reduzir o shunt direita-esquerda), e correção da acidose metabólica. Em casos refratários, pode-se considerar o uso de ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) para dar suporte à função pulmonar e cardíaca.
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