PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2022
Um recém-nascido com 39 semanas de gestação pesou 3300g e apresenta, após o nascimento, insuficiência respiratória e labilidade de oxigenação que piora ao manuseio da criança. Nasceu de parto vaginal com período expulsivo prolongado, Apgar 3/5/7. A gestante não apresenta sintomas respiratórios e foi adequadamente vacinada contra COVID-19. Pré-natal: ecografias, inclusive a morfológica normal, sorologias negativas. Apresenta saturação aferida na radial direita de 74%. Hemograma na primeira hora de vida: leucócitos 20000 neutrófilos 40% bastões 5% linfócitos 48% plaquetas 250000 hemoglobina 15g/dl. Qual achado no Rx de tórax reforça o diagnóstico da causa da insuficiência respiratória deste RN?
RN termo com hipoxemia e labilidade, Apgar baixo, parto prolongado → HPPRN = Rx com redução de trama vascular pulmonar.
O quadro clínico de um RN termo com insuficiência respiratória, labilidade de oxigenação, Apgar baixo e parto prolongado é sugestivo de Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN). O achado clássico no Rx de tórax que reforça esse diagnóstico é a redução da trama vascular pulmonar, indicando hipoperfusão pulmonar.
A Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN) é uma condição grave que ocorre quando a circulação pulmonar neonatal não consegue fazer a transição adequada da circulação fetal de alta resistência para a circulação pós-natal de baixa resistência. Isso resulta em vasoconstrição pulmonar persistente, levando a um shunt direita-esquerda através do forame oval e/ou ducto arterioso, causando hipoxemia sistêmica e insuficiência respiratória. É mais comum em recém-nascidos a termo ou pós-termo. O quadro clínico típico inclui insuficiência respiratória progressiva, cianose, labilidade de oxigenação (piora com o manuseio), e pode estar associado a eventos como asfixia perinatal (indicado pelo Apgar baixo e período expulsivo prolongado). O diagnóstico é clínico e confirmado por ecocardiograma, que avalia as pressões pulmonares e a presença de shunts. No que diz respeito aos achados radiológicos, a radiografia de tórax na HPPRN é frequentemente inespecífica ou pode mostrar pulmões com aparência normal ou hipoperfundidos. O achado que reforça o diagnóstico é a redução da trama vascular pulmonar, que reflete a vasoconstrição e a hipoperfusão pulmonar. Diferentemente de outras causas de desconforto respiratório, como a Doença da Membrana Hialina (infiltrado reticulogranular) ou a Taquipneia Transitória do RN (hiperinsuflação e aumento da trama vascular), a HPPRN não apresenta um padrão pulmonar primário evidente, mas sim alterações na vascularização.
Os fatores de risco incluem asfixia perinatal, aspiração meconial, sepse, hérnia diafragmática congênita, hipoplasia pulmonar e uso de inibidores da recaptação de serotonina pela mãe.
A labilidade de oxigenação na HPPRN é caracterizada por quedas abruptas e significativas na saturação de oxigênio com o mínimo manuseio ou estresse, devido à reabertura ou aumento do shunt direita-esquerda através do forame oval e ducto arterioso.
O ecocardiograma é fundamental para confirmar o diagnóstico de HPPRN, avaliando a pressão na artéria pulmonar, a presença e direção dos shunts (forame oval e ducto arterioso) e descartando cardiopatias congênitas cianóticas.
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