FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Neonato, nasceu de parto vaginal, a termo apresentou cianose intensa necessitando de altas concentrações de oxigênio nas primeiras horas de vida. A saturação no membro superior direito era 94% e no membro inferior esquerdo era 85% quando o paciente estava submetido a uma FiO2 de 80%. O diagnóstico mais provável é:
Cianose neonatal + FiO2 alta + saturação pré-ductal > pós-ductal (diferença > 10%) → HPPN.
A diferença de saturação entre o membro superior direito (pré-ductal) e o membro inferior (pós-ductal) maior que 10% em um neonato cianótico sob alta FiO2 é um forte indicativo de shunt direita-esquerda através do ducto arterioso, característico da Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPN).
A Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPN) é uma condição grave caracterizada pela persistência da alta resistência vascular pulmonar após o nascimento, levando a um shunt direita-esquerda através do forame oval e/ou ducto arterioso. Sua incidência varia de 0,5 a 6,8 por 1000 nascidos vivos, sendo uma causa importante de morbimortalidade neonatal. É crucial reconhecer seus sinais precocemente para um manejo adequado. A fisiopatologia da HPPN envolve a falha na transição da circulação fetal para a neonatal, onde os vasos pulmonares permanecem contraídos, impedindo a queda da resistência vascular pulmonar. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela cianose refratária à oxigenoterapia e pela diferença de saturação de oxigênio entre o membro superior direito (pré-ductal) e o membro inferior (pós-ductal) maior que 10%. O ecocardiograma é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar a função ventricular e excluir cardiopatias estruturais. O tratamento da HPPN visa reduzir a resistência vascular pulmonar e melhorar a oxigenação. Inclui suporte ventilatório otimizado para evitar hipóxia e acidose, que agravam a vasoconstrição pulmonar. O óxido nítrico inalatório é o vasodilatador pulmonar de escolha, e outras terapias como sildenafil ou milrinone podem ser consideradas. O prognóstico depende da gravidade e da resposta ao tratamento, com risco de sequelas neurológicas e pulmonares.
A HPPN se manifesta com cianose, taquipneia e desconforto respiratório, frequentemente refratários à oxigenoterapia. A diferença de saturação pré e pós-ductal maior que 10% é um achado crucial.
A HPPN deve ser diferenciada de cardiopatias congênitas cianóticas e doenças pulmonares. O ecocardiograma é fundamental para avaliar a pressão pulmonar e descartar cardiopatias estruturais.
O manejo inclui suporte ventilatório otimizado, manutenção da normotermia e normoglicemia, e uso de vasodilatadores pulmonares como o óxido nítrico inalatório, se disponível e indicado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo