TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Pedro tem 65 anos e recentemente foi diagnosticado com DPOC grave, fenótipo enfisematoso. Relata dispneia progressiva e tosse crônica. Ecocardiograma mostra PSAP de 62 mmHg e hipertrofia do ventrículo direito. Gasometria arterial: PaO2 de 52 mmHg e SpO2 de 83% em ar ambiente. Qual é a intervenção mais apropriada para o manejo da hipertensão pulmonar nesse caso?
HP no DPOC (Grupo 3) → Otimizar doença de base + O2; evitar vasodilatadores específicos.
A hipertensão pulmonar no DPOC é classificada no Grupo 3. O tratamento foca na patologia pulmonar subjacente e correção da hipoxemia, pois vasodilatadores podem piorar o shunt V/Q.
A hipertensão pulmonar (HP) associada a doenças pulmonares crônicas, como o DPOC, é classificada pela OMS como Grupo 3. Diferente da Hipertensão Arterial Pulmonar (Grupo 1), a fisiopatologia aqui é dominada pela vasoconstrição hipóxica e destruição do leito capilar alveolar (enfisema). O diagnóstico é sugerido pelo ecocardiograma, mas o manejo clínico não requer cateterismo de rotina se a conduta não for mudar. O tratamento padrão-ouro envolve a otimização máxima da terapia broncodilatadora e, crucialmente, a correção da hipoxemia arterial. A oxigenoterapia visa manter a PaO2 > 60 mmHg ou SpO2 > 90%, prevenindo a progressão do cor pulmonale. O uso de drogas 'específicas' para HP é reservado apenas para casos raros de HP 'desproporcional' em centros de referência, sendo perigoso na prática geral.
A sildenafila e outros vasodilatadores específicos para HP (Grupo 1) são geralmente contraindicados no Grupo 3 (doenças pulmonares). Eles podem causar vasodilatação em áreas mal ventiladas, piorando o desequilíbrio ventilação-perfusão (V/Q) e agravando a hipoxemia sistêmica. O foco deve ser sempre tratar a causa pulmonar e manter a oxigenação adequada.
Deve-se suspeitar em pacientes com dispneia desproporcional ao grau de obstrução ao fluxo aéreo, sinais de insuficiência ventricular direita (edema de membros inferiores, turgência jugular, hepatomegalia) e evidências ecocardiográficas de hipertensão pulmonar (PSAP elevada) e hipertrofia de VD.
A hipoxemia alveolar crônica é o principal driver da vasoconstrição pulmonar hipóxica e do remodelamento vascular no DPOC. A oxigenoterapia domiciliar prolongada (pelo menos 15h/dia) é a única intervenção que demonstrou reduzir a progressão da hipertensão pulmonar e melhorar a sobrevida nesses pacientes.
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