HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2022
Paciente de 34 anos, puérpera recente, com história de hipertensão arterial durante cirurgia de cesariana há 10 dias, evoluindo no pós-operatório imediato com persistência de níveis pressóricos elevados, obtendo alta hospitalar com três classes de anti-hipertensivos para controle pressórico. Durante a internação, foi repetido exames de investigação de gestose hipertensiva, com transaminases normais e proteinúria de 24 h menor 10 mg, similar aos níveis da vigésima semana de gestação. Nega hipertensão arterial durante toda a gestação atual ou antes de engravidar. Procura ambulatório de clínica médica para orientação e tratamento. Ao exame físico, apresentava PA = 138 x 85 mmHg, FC = 78 bpm e ausculta cardíaca normal. Realizou um eletrocardiograma de repouso que demostrou ritmo sinusal e alterações inespecíficas difusas da repolarização ventricular.Diante da hipótese diagnóstica, qual exame complementar deve ser realizado nesse caso?
Hipertensão arterial de novo início em puérpera jovem, refratária a múltiplos fármacos → investigar causas secundárias, como estenose de artéria renal.
A hipertensão arterial de novo início ou que persiste e é de difícil controle em puérperas jovens, especialmente sem histórico prévio de HAS, deve levantar a suspeita de causas secundárias. A estenose de artéria renal é uma etiologia importante a ser investigada nesse cenário.
A hipertensão arterial na puérpera é um desafio diagnóstico e terapêutico. Embora a maioria dos casos esteja relacionada à persistência ou exacerbação da hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia, é crucial estar atento a causas de hipertensão secundária, especialmente em pacientes jovens, com hipertensão de novo início ou de difícil controle. A não identificação dessas causas pode levar a um manejo inadequado e a complicações a longo prazo. Neste caso, a paciente de 34 anos, sem histórico prévio de hipertensão, com níveis pressóricos elevados e refratários a três classes de anti-hipertensivos no pós-parto, e com exames de gestose hipertensiva normais, levanta forte suspeita de hipertensão secundária. A estenose de artéria renal, frequentemente causada por displasia fibromuscular em mulheres jovens, é uma das principais etiologias a serem investigadas. O ultrassom Doppler de artérias renais é o exame complementar de escolha para rastreamento da estenose de artéria renal, por ser não invasivo e ter boa sensibilidade. Outras investigações podem incluir exames para feocromocitoma, hiperaldosteronismo primário ou doença renal parenquimatosa, dependendo da apresentação clínica. O manejo adequado da hipertensão secundária é fundamental para o controle pressórico e a prevenção de eventos cardiovasculares.
Deve-se suspeitar de hipertensão secundária em puérperas com hipertensão de novo início, especialmente se jovem, com níveis pressóricos elevados e refratários a múltiplos anti-hipertensivos, ou sem história prévia de hipertensão gestacional/pré-eclâmpsia típica.
O ultrassom Doppler de artérias renais é um exame não invasivo de primeira linha para rastrear estenose de artéria renal, uma causa comum de hipertensão secundária, especialmente em mulheres jovens, muitas vezes associada à displasia fibromuscular.
Além da estenose de artéria renal, outras causas incluem feocromocitoma, hiperaldosteronismo primário, doença renal parenquimatosa, coarctação da aorta e hipertireoidismo, que devem ser investigadas conforme o quadro clínico.
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