Hematêmese Infantil: Hipertensão Portal e Esplenomegalia

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Escolar com 7 anos, masculino, é trazido à emergência com história de hematêmese volumosa, iniciada vinte minutos antes de sua chegada. Não ocorreu febre ou outros sintomas, não há história prévia de doenças, porém ficou internado nas duas primeiras semanas de vida com infecção. Ao exame físico: hipocorado (+/+++), fígado sem alterações e esplenomegalia volumosa. Exames laboratoriais: leucopenia, trombocitopenia; enzimas hepáticas, atividade da protrombina e tempo de tromboplastina parcial ativado, normais. A mais provável causa desse é sangramento é:

Alternativas

  1. A) úlcera péptica gástrica ou duodenal.
  2. B) hipertensão portal com varizes esofagianas.
  3. C) epistaxe ou sangramento respiratório alto.
  4. D) malformação vascular esofágica ou gástrica.
  5. E) distúrbio de coagulação como a hemofilia.

Pérola Clínica

Criança com hematêmese, esplenomegalia, citopenias e função hepática normal → Hipertensão portal extra-hepática.

Resumo-Chave

A tríade de hematêmese, esplenomegalia e citopenias (leucopenia, trombocitopenia) em uma criança com função hepática preservada, especialmente com histórico de infecção neonatal, sugere fortemente hipertensão portal extra-hepática, frequentemente por trombose de veia porta.

Contexto Educacional

A hematêmese em crianças é uma emergência médica que exige investigação rápida e precisa. Embora úlceras pépticas e esofagites sejam causas comuns, a presença de achados adicionais como esplenomegalia e citopenias direciona o diagnóstico para condições mais específicas. A história de infecção neonatal, especialmente se associada a procedimentos invasivos, pode ser um fator etiológico importante. Neste cenário clínico, a esplenomegalia volumosa, leucopenia e trombocitopenia, em conjunto com a hematêmese e a função hepática normal, são altamente sugestivas de hipertensão portal. A hipertensão portal em crianças é frequentemente causada por trombose da veia porta (hipertensão portal extra-hepática), que pode ser uma sequela de infecções neonatais ou cateterismo umbilical. A esplenomegalia resulta do represamento sanguíneo no baço, e o hiperesplenismo leva às citopenias. O diagnóstico diferencial é amplo, mas a combinação de sintomas e exames laboratoriais é chave. A ausência de febre e outros sintomas, além da normalidade das enzimas hepáticas e do coagulograma, afasta doenças hepáticas intrínsecas graves ou distúrbios de coagulação primários. O tratamento inicial foca na estabilização hemodinâmica e no controle do sangramento, seguido pela investigação da causa subjacente, que geralmente envolve endoscopia digestiva alta para identificar e tratar as varizes esofagianas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipertensão portal em crianças?

Os sinais de hipertensão portal em crianças incluem esplenomegalia, varizes esofagianas (manifestando-se como hematêmese ou melena), ascite e, em casos de hiperesplenismo, citopenias como leucopenia e trombocitopenia.

Como o histórico de infecção neonatal se relaciona com a hipertensão portal?

Infecções neonatais, especialmente as que requerem cateterismo umbilical ou outras intervenções vasculares, podem ser um fator de risco para trombose da veia porta, uma causa comum de hipertensão portal extra-hepática em crianças.

Qual a importância da função hepática normal no diagnóstico diferencial?

A função hepática normal (enzimas hepáticas e coagulograma) é crucial, pois sugere que a causa da hipertensão portal é pré-hepática (como trombose de veia porta) ou intra-hepática não cirrótica, diferenciando-a de doenças hepáticas parenquimatosas graves.

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