Varizes Gástricas: Manejo na Hipertensão Portal Esquerda

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente apresenta hemorragia em varizes gástricas em um contexto de hipertensão portal à esquerda. Diante do quadro hipotético, qual é a conduta mais apropriada a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Ligadura elástica endoscópica.
  2. B) Escleroterapia endoscópica.
  3. C) Transplante hepático.
  4. D) Derivação portossistêmica intra-hepática transjugular (TIPS).
  5. E) Esplenectomia.

Pérola Clínica

Hemorragia por varizes gástricas em hipertensão portal à esquerda (trombose veia esplênica) → Esplenectomia é o tratamento definitivo.

Resumo-Chave

A hipertensão portal à esquerda, ou hipertensão portal sinistral, é causada pela trombose da veia esplênica, resultando em varizes gástricas isoladas (geralmente no fundo gástrico) sem varizes esofágicas. Nesses casos, a esplenectomia é a conduta mais apropriada e curativa, pois remove a causa da hipertensão no leito gástrico, prevenindo novos sangramentos. Outras terapias endoscópicas são menos eficazes para varizes gástricas e não abordam a etiologia subjacente.

Contexto Educacional

A hemorragia por varizes gástricas é uma complicação grave da hipertensão portal, com alta morbimortalidade. Diferentemente das varizes esofágicas, as varizes gástricas são mais difíceis de controlar endoscopicamente e tendem a sangrar mais profusamente. A hipertensão portal pode ser generalizada (associada a cirrose) ou segmentar, como na hipertensão portal à esquerda (sinistral), que é o foco desta questão. A hipertensão portal à esquerda é uma condição rara causada pela trombose isolada da veia esplênica. Essa trombose impede o fluxo sanguíneo do baço para a veia porta, desviando-o para as veias gástricas curtas e gastroepiplóicas, que se tornam ingurgitadas e formam varizes gástricas, geralmente no fundo gástrico. Ao contrário da hipertensão portal generalizada, a função hepática é geralmente normal e não há varizes esofágicas. As causas mais comuns da trombose da veia esplênica incluem pancreatite (aguda ou crônica), neoplasias pancreáticas ou gástricas, e trauma abdominal. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com hemorragia digestiva alta e varizes gástricas isoladas, especialmente na presença de esplenomegalia. A confirmação é feita por exames de imagem como ultrassonografia Doppler, tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que demonstram a trombose da veia esplênica. O tratamento definitivo para varizes gástricas hemorrágicas secundárias à hipertensão portal à esquerda é a esplenectomia, que remove a fonte da hipertensão localizada e resolve o problema do sangramento. Outras abordagens, como ligadura elástica ou escleroterapia, são menos eficazes ou não abordam a causa subjacente.

Perguntas Frequentes

O que é hipertensão portal à esquerda e como ela se relaciona com varizes gástricas?

A hipertensão portal à esquerda, ou hipertensão portal sinistral, é uma condição rara causada pela trombose isolada da veia esplênica. Isso leva a um aumento da pressão nas veias gástricas curtas e gastroepiplóicas, resultando na formação de varizes gástricas isoladas (geralmente no fundo gástrico) sem envolvimento das varizes esofágicas. A hemorragia dessas varizes pode ser grave.

Por que a esplenectomia é a conduta mais apropriada para varizes gástricas em hipertensão portal à esquerda?

A esplenectomia é o tratamento definitivo porque remove o baço, que é a fonte do fluxo sanguíneo para a veia esplênica trombosada. Ao eliminar essa fonte de pressão, a esplenectomia desvia o fluxo sanguíneo das varizes gástricas, reduzindo a pressão portal localizada e prevenindo novos episódios de sangramento de forma eficaz.

Quais são as causas mais comuns da trombose da veia esplênica?

As causas mais comuns da trombose da veia esplênica incluem pancreatite aguda ou crônica (a mais frequente), neoplasias abdominais (especialmente de pâncreas e estômago), trauma abdominal, doenças mieloproliferativas e outras condições que aumentam o risco de trombose. A compressão extrínseca da veia esplênica por massas também pode ser uma causa.

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