Cirrose e CSPH: Manejo Baseado na Elastografia

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Homem de 55 anos vai ao consultório com os resultados de exames. Interrompeu o etilismo há três meses; fazia o uso de 760g de álcool por semana. Nega internações ou doenças prévias conhecidas. Nega aumento de volume abdominal, sangramento digestivo ou episódios de confusão mental. ULTRASSONOGRAFIA DO ABDOME: fígado de dimensões reduzidas, superfície irregular e nodular, e parênquima com aumento difuso da ecogenicidade. A veia porta apresenta diâmetro aumentado. Esplenomegalia leve. Ausência de líquido livre na cavidade abdominal. EXAMES DE LABORATORIO: hemoglobina 13 g/dL; leucócitos totais 4.100/mm²; plaquetas 152.000/mm³. ELASTOGRAFIA HEPÁTICA: medida da rigidez hepática pela elastografia transitória de 26 kPa. Assinale a alternativa CORRETA sobre o caso:

Alternativas

  1. A) A medida da rigidez hepática deve ser repetida a cada dois anos, desde que o paciente não apresente descompensações no intervalo.
  2. B) A prescrição de betabloqueadores não-seletivos está indicada para a prevenção de descompensação clínica.
  3. C) Não há indicação para o rastreio endoscópico de varizes.
  4. D) O resultado obtido revela cirrose hepática descompensada, com hipertensão portal clinicamente significativa.

Pérola Clínica

Rigidez hepática > 25 kPa = Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (CSPH) → Iniciar NSBB.

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose compensada e elastografia > 25 kPa, a hipertensão portal clinicamente significativa está presente, indicando o uso de betabloqueadores não-seletivos para prevenir descompensação.

Contexto Educacional

A abordagem moderna da cirrose foca na fase compensada para evitar a transição para a fase descompensada. O Consenso de Baveno VII consolidou o uso da elastografia transitória como ferramenta diagnóstica para a Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (CSPH). Quando a rigidez hepática ultrapassa 25 kPa, o risco de eventos como ascite e sangramento aumenta drasticamente.\n\nO uso de betabloqueadores não-seletivos (NSBB), especialmente o carvedilol devido ao seu efeito alfa-1 bloqueador adicional que reduz a resistência intra-hepática, demonstrou reduzir a incidência de descompensação clínica. Portanto, o manejo atual prioriza a proteção hemodinâmica portal precoce em vez de aguardar o surgimento de varizes de esôfago calibrosas.

Perguntas Frequentes

O que define Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (CSPH) pela elastografia?

De acordo com o Consenso de Baveno VII, valores de rigidez hepática acima de 25 kPa pela elastografia transitória são altamente sugestivos de CSPH em pacientes com doença hepática crônica avançada compensada. Esse limiar identifica pacientes com alto risco de descompensação clínica, como ascite ou hemorragia varicosa, independentemente do achado endoscópico imediato.

Qual a indicação de betabloqueadores na cirrose compensada?

Os betabloqueadores não-seletivos (NSBB), preferencialmente o carvedilol, estão indicados para pacientes com CSPH (definida por elastografia > 25 kPa ou gradiente de pressão venosa hepática ≥ 10 mmHg) para prevenir a primeira descompensação clínica. O objetivo principal mudou do rastreio apenas de varizes para a prevenção global de eventos como ascite.

A endoscopia ainda é obrigatória para todos os cirróticos?

Se o paciente tem rigidez hepática < 20 kPa e contagem de plaquetas > 150.000/mm³, o risco de varizes com necessidade de tratamento é muito baixo, podendo-se evitar a endoscopia de rastreio inicial (Critérios de Baveno VI/VII). No entanto, se houver CSPH confirmada por elastografia (> 25 kPa), o tratamento com NSBB pode ser iniciado mesmo sem EDA prévia.

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