HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2023
Homem, 68 anos, aposentado, com diagnóstico de cirrose hepática de etiologia alcoólica, apresenta ascite moderada e varizes de esôfago de médio calibre. Faz uso de propranolol 40 mg 2x ao dia, espironolactona 200mg/dia e furosemida 40 mg/dia. Abstêmio há 1 ano. Evoluiu há 24h com mal-estar, mialgias, inapetência, oligúria e leve confusão mental. Ao exame físico: sinais vitais: sem alterações; neurológico: flapping, letargia e desorientação leve no tempo e no espaço leve; abdome: desconforto à palpação; demais aparelhos e sistemas sem alterações. Sobre o paciente acima pode-se afirmar que:
Cirrose + hipertensão portal avançada → esplenomegalia + pancitopenia (leucopenia, plaquetopenia).
A hipertensão portal, complicação comum da cirrose, leva à esplenomegalia congestiva. O aumento do baço pode sequestrar células sanguíneas, resultando em citopenias, como leucopenia e plaquetopenia. Essas alterações hematológicas são marcadores de doença hepática avançada e hipertensão portal significativa.
A cirrose hepática é uma doença crônica e progressiva do fígado, caracterizada por fibrose e formação de nódulos, que leva à disfunção hepática e hipertensão portal. A etiologia alcoólica é uma das mais comuns. A descompensação da cirrose manifesta-se por ascite, encefalopatia hepática, hemorragia por varizes e icterícia, sendo um marco na progressão da doença. A hipertensão portal é uma complicação central da cirrose, resultando do aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no fígado. Isso leva a uma série de consequências, incluindo a formação de varizes esofágicas e gástricas, ascite e esplenomegalia. A esplenomegalia congestiva, por sua vez, é responsável pelo hiperesplenismo, um processo em que o baço aumentado sequestra e destrói excessivamente as células sanguíneas. Consequentemente, pacientes com hipertensão portal avançada e esplenomegalia frequentemente desenvolvem citopenias, como leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos) e plaquetopenia (diminuição das plaquetas). Essas alterações hematológicas são importantes marcadores da gravidade da doença hepática e podem influenciar o manejo clínico, como a necessidade de transfusões ou o risco de sangramento. O paciente do enunciado apresenta sinais de encefalopatia hepática (flapping, letargia, desorientação), que seria Grau 2 pelos critérios de West-Haven.
As causas comuns de descompensação incluem infecções (peritonite bacteriana espontânea), hemorragia gastrointestinal (varizes), desidratação, uso de sedativos, constipação, distúrbios eletrolíticos e progressão da doença hepática subjacente.
A hipertensão portal causa congestão venosa no baço, levando ao seu aumento (esplenomegalia). O baço aumentado sequestra e destrói mais células sanguíneas (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), resultando em citopenias como anemia, leucopenia e plaquetopenia.
Grau 0: sem alterações. Grau 1: alterações leves de humor/comportamento, insônia, diminuição da atenção. Grau 2: letargia, desorientação temporal, flapping. Grau 3: sonolência, confusão, desorientação espacial. Grau 4: coma.
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