Hipertensão Portal: Complicações e Manejo do Sangramento Varicoso

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020

Enunciado

O fígado é um órgão complexo que possui dupla vascularização de irrigação, pela veia porta e artéria hepática, e um sistema de drenagem venosa hepática que tributa a veia cava inferior, além de possuir múltiplas funções vitais. O fluxo sanguíneo hepático é de 1500 mL/min, representando 25% do débito cardíaco. A veia porta é responsável por 2/3 do fluxo hepático total. Diante disso, torna-se fundamental conhecer a condição de hipertensão portal prévia de um paciente potencialmente cirúrgico, no pré-operatório de qualquer tipo de cirurgia abdominal. Sobre a hipertensão portal, é CORRETO afirmar.

Alternativas

  1. A) O sangramento das varizes esofagogástricas é a complicação da hipertensão portal mais ameaçadora à vida.
  2. B) O transplante de fígado é um tratamento a ser considerado para os portadores de insuficiência hepática terminais e que, necessariamente, tenham sangramento varicoso, visto que esses pacientes são mais graves.
  3. C) A hipertensão portal é definida por uma pressão portal maior do que 10 mmHg.
  4. D) Cerca de 2/3 dos pacientes com varizes esofágicas apresentam sangramento durante a vida.
  5. E) Abordagens cirúrgicas, como as operações de Shunts (derivações porto-sistêmicas), são, geralmente, a primeira linha de tratamento para a hipertensão portal e varizes esofagogástricas.

Pérola Clínica

Sangramento de varizes esofagogástricas = complicação mais letal da hipertensão portal.

Resumo-Chave

O sangramento de varizes esofagogástricas é a complicação mais grave e ameaçadora à vida da hipertensão portal, exigindo manejo emergencial para controle da hemorragia e prevenção de ressangramento, com alta mortalidade se não tratada adequadamente.

Contexto Educacional

A hipertensão portal é uma síndrome clínica caracterizada pelo aumento da pressão no sistema venoso portal, geralmente causada por cirrose hepática. É uma condição de grande relevância clínica devido às suas múltiplas e graves complicações, que impactam significativamente a morbidade e mortalidade dos pacientes. O conhecimento aprofundado sobre sua fisiopatologia, diagnóstico e manejo é crucial para residentes e profissionais da área médica. A fisiopatologia da hipertensão portal envolve o aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no fígado (devido à fibrose e nódulos na cirrose) e um aumento do fluxo sanguíneo esplâncnico. Esse aumento de pressão leva à formação de circulação colateral, como as varizes esofagogástricas, que são vasos dilatados e frágeis. Outras complicações incluem ascite, encefalopatia hepática e síndrome hepatorrenal. O sangramento das varizes esofagogástricas é a complicação mais temida, com alta taxa de mortalidade se não for prontamente abordado. O manejo da hipertensão portal e suas complicações é complexo e multifacetado. O tratamento do sangramento agudo de varizes é uma emergência médica que envolve estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas, profilaxia de infecção e intervenção endoscópica (ligadura elástica ou escleroterapia). A prevenção do primeiro sangramento (profilaxia primária) e do ressangramento (profilaxia secundária) é realizada com betabloqueadores não seletivos e ligadura elástica endoscópica. Em casos selecionados, shunts porto-sistêmicos (como o TIPS) ou transplante hepático podem ser indicados.

Perguntas Frequentes

Qual a complicação mais grave da hipertensão portal?

O sangramento das varizes esofagogástricas é a complicação mais grave e com maior risco de vida na hipertensão portal, sendo uma emergência médica que exige intervenção imediata.

Como é definida a hipertensão portal?

A hipertensão portal é definida por um gradiente de pressão venosa hepática (GPVH) maior que 5 mmHg, mas as complicações clinicamente significativas, como as varizes esofágicas, geralmente ocorrem quando o GPVH é maior que 10 mmHg.

Quais são as abordagens iniciais para o sangramento agudo de varizes esofagogástricas?

O tratamento inicial envolve estabilização hemodinâmica, uso de drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) para reduzir o fluxo portal e endoscopia digestiva alta para ligadura elástica ou escleroterapia das varizes.

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