Hipertensão Pré-operatória: Quando Adiar a Cirurgia?

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 76 anos, assintomática, será submetida à cirurgia de catarata. Tem antecedente de hipertensão arterial sistêmica, em uso de anlodipina e valsartana. Nas três últimas aferições, apresentou pressão arterial abaixo de 130 x 85 mmHg, inclusive durante a avaliação clínica pré-operatória, quando foi liberada para o procedimento cirúrgico proposto. No dia da cirurgia, encontrava-se assintomática, mas com pressão arterial de 155 x 95 mmHg, e sem outras anormalidades ao exame físico. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.

Alternativas

  1. A) Suspender a cirurgia e reavaliar a paciente com MAPA de 24 horas.
  2. B) Administrar metoprolol endovenoso e proceder à cirurgia.
  3. C) Manter a paciente em repouso, administrar captopril sublingual e realizar a cirurgia apenas quando a pressão arterial for inferior a 140 x 90 mmHg.
  4. D) Iniciar e manter nitroprussiato de sódio durante todo o período perioperatório.
  5. E) Realizar a cirurgia com os cuidados perioperatórios habituais.

Pérola Clínica

HAS controlada, PA elevada isolada no pré-op (assintomática) para cirurgia de baixo risco → Proceder cirurgia com monitoramento.

Resumo-Chave

Em pacientes com hipertensão previamente controlada, uma elevação isolada da PA no dia da cirurgia (sem sintomas ou outras alterações) para um procedimento de baixo risco (como catarata) geralmente não justifica o adiamento da cirurgia, mas requer monitoramento rigoroso.

Contexto Educacional

A avaliação pré-operatória de pacientes hipertensos é crucial para minimizar riscos cardiovasculares durante e após a cirurgia. No entanto, é importante diferenciar situações que realmente exigem o adiamento do procedimento daquelas em que a cirurgia pode prosseguir com segurança. A cirurgia de catarata é classificada como um procedimento de baixo risco cardiovascular, o que influencia a decisão sobre o manejo da pressão arterial no pré-operatório. Neste caso, a paciente de 76 anos tem hipertensão arterial sistêmica controlada cronicamente e está assintomática, apesar da pressão arterial de 155 x 95 mmHg no dia da cirurgia. Para cirurgias de baixo risco, a maioria das diretrizes não recomenda o adiamento do procedimento por elevações moderadas da pressão arterial em pacientes assintomáticos, especialmente se a HAS estava bem controlada anteriormente. O estresse da internação e da expectativa da cirurgia pode causar uma elevação transitória da PA. A conduta correta é realizar a cirurgia com os cuidados perioperatórios habituais, incluindo monitoramento contínuo da pressão arterial. Intervenções agudas para reduzir a PA em pacientes assintomáticos antes de cirurgias de baixo risco podem, inclusive, aumentar o risco de hipotensão e eventos adversos. O foco deve ser em manter a medicação anti-hipertensiva habitual e monitorar de perto o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os limites de pressão arterial para adiar uma cirurgia eletiva?

Geralmente, cirurgias eletivas são adiadas se a pressão arterial estiver acima de 180/110 mmHg, ou se houver sinais de lesão de órgão-alvo ou crise hipertensiva. Para cirurgias de baixo risco, limites mais flexíveis podem ser aceitos.

Por que a cirurgia de catarata é considerada de baixo risco cardiovascular?

A cirurgia de catarata é um procedimento de baixo risco, com mínimo estresse fisiológico e baixa incidência de eventos cardiovasculares maiores, o que permite uma abordagem mais liberal em relação a elevações moderadas da PA em pacientes assintomáticos.

Qual a conduta para hipertensão moderada no pré-operatório de cirurgia de baixo risco?

Para pacientes com HAS previamente controlada e elevação moderada da PA (ex: 155x95 mmHg) no dia da cirurgia de baixo risco, sem sintomas, a conduta é geralmente prosseguir com a cirurgia, mantendo monitoramento rigoroso e otimizando a medicação anti-hipertensiva oral.

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