Hipertensão e Diabetes: Metas e Tratamento Conforme Diretriz

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 70 anos de idade, diagnosticado com diabetes mellitus há 10 anos, com retinopatia grau III, compareceu à consulta ambulatorial trazendo M.A.P.A., e demonstrava controle pressórico inadequado. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a meta pressórica e as classes de medicamentos de preferência, segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial Sistêmica de 2020.

Alternativas

  1. A) PA < 120 x 70 mmHg. Bloqueadores do sistema renina angiotensina‑aldosterona, vasodilatadores diretos e betabloqueador
  2. B) PA < 130 x 80 mmHg. Bloqueadores do sistema renina angiotensina‑aldosterona, bloqueador de canal de cálcio e diurético
  3. C) PA < 130 x 70 mmHg. Diurético, betabloqueador e bloqueadores do sistema renina angiotensina‑aldosterona
  4. D) PA < 120 x 70 mmHg. Bloqueadores do sistema renina angiotensina‑aldosterona, bloqueador do canal de cálcio e betabloqueador
  5. E) PA < 130 x 80 mmHg. Vasodilatadores diretos, betabloqueador e bloqueador do canal de cálcio

Pérola Clínica

Paciente diabético com lesão de órgão-alvo (retinopatia) → Meta PA < 130 x 80 mmHg com IECA/BRA + BCC + Diurético.

Resumo-Chave

As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão de 2020 recomendam uma meta pressórica de < 130x80 mmHg para pacientes de alto risco cardiovascular, como diabéticos com lesão de órgão-alvo. A terapia combinada inicial com bloqueadores do SRAA, bloqueadores de canal de cálcio e/ou diuréticos tiazídicos é a preferencial.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) são condições frequentemente associadas que potencializam o risco cardiovascular. Pacientes com ambas as comorbidades, especialmente na presença de lesões em órgãos-alvo como a retinopatia, são classificados como de alto risco, exigindo um manejo agressivo e metas terapêuticas rigorosas para prevenir eventos como infarto, AVC e doença renal terminal. Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial de 2020, a meta pressórica para essa população de alto risco é manter a pressão arterial (PA) abaixo de 130x80 mmHg. Atingir essa meta geralmente requer terapia farmacológica combinada desde o início. A escolha dos medicamentos deve priorizar classes com benefícios comprovados além da redução da PA. As classes de primeira linha incluem os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA), que oferecem proteção renal e cardíaca. A combinação preferencial envolve associar um bloqueador do SRAA a um bloqueador dos canais de cálcio (BCC) ou a um diurético tiazídico/similar. A associação tripla (bloqueador do SRAA + BCC + diurético) é frequentemente necessária para o controle adequado nesses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são consideradas lesões de órgão-alvo na hipertensão?

Incluem hipertrofia ventricular esquerda no ECG ou ecocardiograma, doença renal crônica (proteinúria ou taxa de filtração glomerular < 60 ml/min), retinopatia hipertensiva, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral prévio e doença arterial periférica.

Por que IECA ou BRA são preferenciais em pacientes diabéticos com hipertensão?

Além do eficaz controle pressórico, essas classes de medicamentos oferecem nefroproteção, reduzindo a albuminúria e retardando a progressão da nefropatia diabética, uma complicação comum e grave do diabetes.

Quando a terapia tripla é indicada para hipertensão?

A terapia tripla, geralmente com IECA/BRA + BCC + diurético, é indicada quando a meta pressórica não é atingida com a combinação de dois fármacos em doses otimizadas, sendo uma abordagem comum em pacientes de alto risco ou com hipertensão resistente.

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